3 de setembro de 2017

Calor Escocês

Série Cavaleiros das Highlandes
Com sangue ainda secando nas linhas de frente em Waterloo, Lady Grace Carrington ajuda um soldado ferido em uma tenda médica britânica. 

Embora ela acredite que o puxou para a segurança, na verdade, ela colocou os dois em grave perigo: porque quando seus brilhantes olhos azuis se encontram com os dela, o apaixonado sargento escocês a beija de uma maneira que a deixa sem fôlego e tremendo. 
Como a filha obediente de um Conde, Grace não deveria ser tentada por alguém tão abaixo de sua posição. Mas como uma mulher de sangue vermelho, ela anseia por muito mais. No que diz respeito a Duncan Mackenzie, ser apunhalado no braço foi a melhor coisa que já aconteceu. Quando acorda no campo de batalha, a visão do rosto adorável de Grace acende sua alma. Como um homem alistado e filho de um fazendeiro...

Capítulo Um

19 de junho de 1815, Campo de Batalha de Waterloo
O peito de Lady Grace Carrington se apertou enquanto olhava para a destruição brutal apresentada diante dela. Em seus sonhos mais loucos, nunca imaginara que tais horrores fossem possíveis. Nunca.
Ela precisava fazer alguma coisa. Seus dedos formigavam com a necessidade de ajudar. Ela não podia ficar ociosa enquanto tantos homens sofriam.
Ela caminhou cuidadosamente através do campo de batalha pisoteado. Não se incomodou em levantar as saias, não haveria sentido. Ela logo ficaria enlameada da cabeça, aos pés.
Havia corpos em todos os lugares, embora não tantos como no início da manhã, quando mal se podia andar sem pisar em algum membro dos cadáveres. Os homens dirigiam-se de um lado para o outro, e os carrinhos moviam-se pelas laterais, cheios até a borda de homens sem vida. Resoluta, de cabeça erguida, Grace dirigiu-se para o meio do campo, onde a carnificina encontrava-se no auge.
Ela ajoelhou-se próximo a inúmeros corpos, baixando a cabeça para ver se uma respiração poderia sossobrar sobre sua orelha. Não havia nada além de uma implacável quietude. Grace encontrou-se olhando para o céu cinzento uma e outra vez, tentando reunir suas forças. Testemunhar isso não era nada comparado com o que esses pobres homens passaram. Se eles podiam sofrer através de um pesadelo, então, ela podia sofrer com as consequências.
Ajoelhou-se ao lado de um homem, este de um dos regimentos das Highlands, a julgar pelo uniforme que usava: boné humilde, kilt, cintos cruzados e meias. Não havia uma partícula de sangue visível nele. Se não fosse por toda a sujeira cobrindo seu uniforme e pele, ela teria pensado que ele deitara na grama em um repouso pacífico.
Inclinando-se, colocou a orelha em seus lábios. Nada. Ela ficou mais tempo do que o normal para ouvir qualquer som de respiração. Finalmente, levantou-se, olhando para o homem. Não, ele era um menino, muito mais jovem do que os seus vinte e três anos.
Talvez, estivesse ferido nas costas. Ela não conseguiu virá-lo para descobrir. Mas, não havia dúvida de que este pobre soldado morrera, juntamente, com tantos outros. Sua respiração ficou presa, curvou a cabeça e apertou os olhos fechando-os, lutando o mais forte que podia contra as lágrimas que empurravam atrás das pálpebras.
― Madame?
Ela saltou para trás, surpresa, com a cabeça erguida. Seu calcanhar virou sobre um terreno desigual, ou alguma coisa caída no chão, seus braços tremendo enquanto lutava para ficar em pé.
Não adiantou. Ela caiu, dura, de costas.
Em alguém. Um fato tornado imediatamente óbvio pelo vigor highlander da respiração liberada pelo pobre homem em que ela tropeçara.
Ela afastou-se de seu corpo, corando furiosamente, pois suas nádegas caíram diretamente sobre a pélvis, dele.― Oh, eu sinto muito, senhor… eu sou tão desajeitada… Perdoe-me por favor…


Série Cavaleiros das Highlandes
0.5- Um Coração Escocês
1- Calor Escocês
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2 de setembro de 2017

Prisioneiro da Meia-Noite

Guerreiros Sombrios
Escravizada pelo desejo

Laura Black sabe que seu chefe é um homem de muitos segredos ― assombrado por alguma força desconhecida, motivado por algum destino indizível ― e, no entanto, faz com que ela deseje ainda mais o diabolicamente lindo, maliciosamente charmoso Charon.
Quando ela descobre uma traição que irá enviá-la para um mundo de magia, ela se volta para o único em que ela confia ― Charon. Mesmo quando ela está em perigo de perder seu coração...
Liberado em fúria  Charon Bruce sofre um anseio implacável de ter Laura para si, uma dor que ele sabe que nunca será compensada.
Depois que a vila que ele tem protegido durante séculos é alvo de um Druida cruel, ele não tem escolha, senão revelar seu segredo para Laura. Ele deve lutar contra o inimigo mais mortal que ele já conheceu se quiser mantê-la segura.
Mas quando Laura é capturada por seu inimigo, ele deve escolher entre vencer a batalha de bem contra o mal ― ou perder a mulher que ama ...

Capítulo Um 

Ferness, Escócia Maio de 2013 
Charon desacelerou o carro enquanto saía da estrada principal para uma viagem estrategicamente escondida. Ele aliviou seu Mercedes CL65 AMG preto cautelosamente sobre a estrada de terra até que chegou na área de estacionamento alinhada atrás do pub que ele possuía. 
 Ele estacionou e desligou o motor. Por alguns minutos, Charon ficou em silêncio, contemplando as horas anteriores. O jogo tinha mudado. Novamente. Charon soltou um longo suspiro enquanto esfregava o buraco da camisa onde estava ferido. 
Durante todo o trajeto do castelo MacLeod a seu pequeno canto da Escócia, tinha pensado sobre o encontro que ocorreu na mansão de Wallace. Tantas vezes ele lutou contra o mal, mas ele e os outros Guerreiros venceram. 
Com cada batalha, no entanto, parecia que o perigo continuava a aumentar. Assim como as chances de suas mortes. 4 Por mais de seiscentos anos, ele viveu sem medo da morte. Ele era um Guerreiro. Com um deus primitivo dentro dele que não só lhe dava imortalidade, mas também poder, não havia muito que pudesse machucá-lo. 
Qualquer um poderia arrancar a cabeça de um Guerreiro e acabar com sua vida. Se eles descobrissem quem era um Guerreiro. E se eles pudessem ser melhores que um Guerreiro em combate. Charon e os outros mantinham o que era um segredo guardado com segurança. Ainda assim, isso não impediu o mal-estar que o atormentava desde que descobriu que um novo mal havia assumido o comando. Jason Wallace. ― Quantos mais? ― murmurou para si mesmo. ―Deirdre e Declan não foram suficientes para lutar e vencer? Em seu coração, Charon sabia que não poderia haver o bem sem o mal, mas estava cansado de lutar, cansado de sempre olhar por cima do ombro, perguntando-se quando viria o próximo ataque.
Isso havia piorado porque ele teve quatro séculos de paz. Tudo porque Declan tinha trazido Deirdre para a frente a tempo. 
Charon, como os outros no Castelo MacLeod, tinha se preocupado quando Deirdre finalmente apareceu e soltou o seu mal mais uma vez. Os MacLeods tinham até enviado 5 Guerreiros para o futuro, bem como, com a ajuda das Druidas. 
 Charon não tinha sido um dos que viajaram através do tempo, e para ele aqueles quatro séculos tinham sido o paraíso. Pura e autentica felicidade. Foi fácil empurrar para o lado o monstro que ele tinha se tornado enquanto estava trancado na prisão de Deirdre, no calabouço de sua montanha de Cairn Toul. 
Ele até mesmo conseguia passar vários dias sem se lembrar o que Deirdre o forçou a fazer com seu pai. No final, no entanto, Charon tinha que enfrentar o fato de que ele ainda era o mesmo monstro. 
Melhor roupa, dinheiro e possuir a maior parte da pequena vila de Ferness não tinha mudado nada. 
Eles eram uma concha para cobrir o homem que ele realmente era. Um bruto. Uma fera. Um demônio. Charon tirou a chave da ignição e abriu a porta do carro. Ele saiu do Mercedes e inalou o ar fresco e limpo ao seu redor. 
 Tinha aproveitado a chance de voltar para Ferness depois de escapar da prisão de Deirdre, era sua casa. Demasiadas décadas haviam passado para alguém se lembrar dele, quando ele voltou vagando aqueles séculos atrás, mas não teria importado se eles lembrassem.

Por Trás da Máscara

Trilogia Whitechapel
A Revolução industrial converteu Londres em uma cidade de grandes desigualdades econômicas e sociais. 

Kathleen Sweeney nasceu em Whitechapel, um dos bairros mais pobres. Teria se convertido no que muitos considerariam um «rato de boca-de-lobo», se não tivesse sido por um giro inesperado do destino, que a fez noiva do marquês de Dunmore. Mas um novo imprevisto ameaça escurecer seu futuro: acaba de receber em herança o Jardim Secreto, um exclusivo prostíbulo. A vida abençoou Nicholas Richmond, marquês do Dunmore, desde o berço. Nascido no seio de uma das famílias mais influentes do país, está acostumado a que todo mundo lhe renda homenagem. 
Orgulha-se de ser um homem frio, que mantém todos seus sentimentos controlados… até que o beijo de uma inocente moça se converte em sua obsessão e uma misteriosa mulher mascarada termina por lhe roubar o coração. Poderá seu amor vencer os prejuízos sociais e sobreviver aos perigos que espreitam em Whitechapel?

Capítulo Um

Kathleen abriu o baú onde devia guardar os pertences que tinha acumulado nos dez últimos anos. Olhou ao seu redor, tentando decidir por onde começar. 
Sem dúvida pelos livros, pois era o que mais valorizava.
Era uma estadia grande, singela mas elegante, que se tinha convertido no centro de seu mundo. 
Estava mobiliada com o justo: uma amaciada cama de suaves lençóis brancos, uma mesinha de noite na qual repousava a novela que lia justo antes de dormir, um armário no qual guardava os poucos vestidos que possuía e uma escrivaninha na qual tinha estudado quase diariamente.
No outro lado da estadia, o mobiliário se repetia de forma simétrica. Esse espaço estava dolorosamente deserto, pois sua companheira de quarto tinha abandonado o internato no dia anterior. 
Acostumada à confusão sem a qual sua melhor amiga parecia incapaz de viver, ver tudo tão vazio lhe embrulhava o estômago. Kathy se repreendeu mentalmente.
Os anos de formação tinham acabado. Aquela era sua última noite no internato. No dia seguinte partiria para Londres. Era o momento de passar página e pensar no futuro. E seu futuro era uma constante dor de cabeça.
O internato da senhora Carlston era uma escola para mulheres desembaraçadas, progressistas. Em outras instituições só se educava as meninas para serem corretas esposas e mães, para saber levar um lar. Em troca, no internato da senhora Carlston se cultivava a mente das alunas tanto como nas escolas masculinas, o que lhes brindava a possibilidade de acessar aos estudos universitários.
As jovens pupilas recebiam uma formação completa: matemática, geografia, história, biologia, artes, idiomas e outras muitas disciplinas que completavam sua educação. Kathy tinha sido uma aluna dedicada em todas elas.
Nos dois últimos anos, a senhora Carlston lhe tinha dado a oportunidade de ajudar nas classes das meninas pequenas. Tinha resultado uma experiência reveladora: gostava das crianças e adorava o ensino. Não podia imaginar uma ocupação melhor que a de professora.
O problema era que estava convencida de que seu noivo, o todo-poderoso e ausente marquês do Dunmore, nunca lhe permitiria exercer uma profissão. Amaldiçoou mil vezes a sua tia por ter posto seu mundo de pernas para cima há dois anos atrás, e a seu noivo, por ter fugido à primeira de mudança. Não tinha podido perdoar a nenhum dos dois.
Uns golpes na porta a devolveram à realidade. — Desculpa, Kathleen, interrompo? Kathy sorriu ao ver aparecer aquela que tinha sido sua mentora durante aqueles maravilhosos anos. — Adiante, senhora Carlston.
Você sempre é bem-vinda. Charlotte Carlston entrou com seus típicos gestos enrijecidos, com as costas bem eretas e o rosto ligeiramente elevado. Era uma pose que imitavam todas as meninas do internato, pois assim era como caminhavam as verdadeiras damas. Kathy e sua amiga tinham praticado intermináveis horas na intimidade do seu quarto, colocando livros na cabeça para ir de parede a parede tentando manter o equilíbrio. Com o tempo se converteram em peritas.
O tempo tinha respeitado à senhora Carlston. Considerando que já passava dos cinquenta, em seu cabelo escuro apenas se viam fios prateados. Com a idade tinha ganhado um pouco de peso, que suavizava suas feições angulosas, e seus vivazes olhos azuis brilhavam com a mesma intensidade que sempre.
Durante sua estadia, Kathy tinha chegado a apreciá-la de verdade. Por trás da fachada estrita, se escondia um coração amável e carinhoso, assim como uma excelente educadora. Era exigente, mas flexível, de grande inteligência e mente aberta. E o mais importante, tratava a todas suas alunas com a mesma consideração, fossem filhas de duques ou simples plebeias. Uma sombra de tristeza atravessou seu rosto quando viu que Kathy recolhia seus pertences.
— Sabe? Ano após ano é muito duro ver partir às moças que terminam seus estudos. Sinto que parte de meu coração se vai com elas — confessou com pesar — Mas em seu caso, esse sentimento é muito mais profundo. Cheguei a te querer como a uma filha. Kathleen, comovida por aquelas palavras, sentiu as lágrimas que se amontoavam em seus olhos. — Para mim…









Trilogia Whitechapel
1- Por Trás da Máscara


28 de agosto de 2017

A Nobre Ladra




Quando o coração lhe diz que quer uma mulher e seus princípios lhe diz que se mantenha afastado...

Lucas Gordon, marquês de Riversey, sabe que a atração que sente por Megan não vai desaparecer depois de cinco anos de sofrimento calado. 
Talvez tenha chegado o momento de deixar de espantar seus pretendentes e cortejá-la publicamente.
Quando a maior loucura é tentar esquecer um amor...
Lady Megan Chadwich nunca teria esperado que a aventura mais intrépida e arriscada de sua vida a lançasse nos braços do homem pelo qual acreditava sentir um antipático afeto.
Quando ambos se rendem a doce paixão que os atormenta, as misteriosas origens de Lucas irão se interpor no que poderia ser o compromisso mais promissor da temporada em Londres. Poderão Lucas e Megan superar os escândalos que ameaçam separá-los para sempre?

Capítulo Um

Londres, 2 de maio de 1813.
Era insuportável o chacoar e o rangido que fazia a maltratada carruagem que os levavam de volta à cidade.
Tinham passado uma divertida noite em uma casa de jogo nos arredores, o Lukie’s, onde normalmente às quintas-feiras eram as noites dedicadas ao pôquer.
Não que seu transporte fosse vulgar ou ruim, mas deveria ser utilizado somente para breves passeios por terreno mais firme da cidade, e para a delicada compleição das mulheres. 
O espaço era exíguo, e os seus elegantes enfeites não eram do seu gosto, mas também não poderia exigir mais: a cavalo dado...
Sua primeira ideia foi usar um carro de aluguel, uma daquelas carruagens de quatro portas, puxadas por quatro cavalos, que os ingleses tinham começado a importar da Alemanha e que eram, além de espaçosas, luxuosas e seguras; mas sua tia Charlotte insistira em lhe oferecer naquela noite, sua elegante carruagem, um landau muito feminino, depois que o seu próprio veículo tivera o eixo traseiro partido, bem no centro do distrito comercial de Strand, em um pitoresco e frustrante espetáculo, na tarde anterior.
De modo que ali estava, em uma coquete carruagem de senhora, puxada por dois elegantes potros baios... o sonho de qualquer princesinha.
Lucas Gordon, marquês de Riversey, olhava entretido como a cabeça de seu primo bamboleava contra o lado da carruagem para voltar a se erguer contra o respaldo do assento e cair poucos segundos depois na mesma posição. Em qualquer momento, o pequeno receptáculo iria se desmontar como um castelo de naipes e os deixariam sentados sobre as rodas; porém, isso não afetava em absoluto o plácido descanso de seu jovem acompanhante que, há mais de dez minutos, mantinha aquela pequena batalha contra a gravidade, sem que isso impedisse algum sonoro ronco entre cada balanço.
Parecia mais que espantoso que o jovem pudesse dormir naquelas condições; mas, para ser justo, devia reconhecer que tudo o que dizia respeito ao seu acompanhante parecia surpreendente e refrescante. Harold Beiling era um jovem... feliz. Completa e absolutamente feliz.
Quando sua mãe lhe comunicara a visita de seu parente da área rural, esteve a ponto de fingir alguma doença contagiosa para evitar o lance de ter que bancar a babá. Mas a marquesa viúva, audaz como poucas mulheres no mundo, se antecipara a qualquer de suas desculpas e ameaçara se unir à visita durante várias semanas.
Adorava sua mãe, mas preferia desfrutar de sua companhia na fazenda que a família possuía no campo, no lugar de tê-la vigiando suas atividades de solteiro em Londres. Sim, seria preferível que ela se mantivesse em Riversey Cottage cuidando de seu irmão mais novo, que terminava seus estudos em Eton.
Não que não tivesse vontade de vê-los; pelo contrário, estava pensando lhes fazer uma visita naquela semana, pois sentia falta deles. Mas as visitas de Lucas duravam apenas alguns dias e as de sua mãe se prolongavam por semanas. De modo que tinha escolhido o mal menor e aceitara contrariado, a estadia de Harold em sua residência de Mayfair.
Mas, para sua surpresa, o jovem fazendeiro tinha se mostrado uma companhia entretida. E bem sabia Deus que lhe fazia falta alguma distração em meio da aborrecida temporada londrina.

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25 de agosto de 2017

O Prêmio

Ela estava sitiada em sua própria fortaleza, mas não se renderia fácil. 

Vencera antes os cavaleiros do rei e, com astúcia e habilidade evitaria, mais uma vez, ser levada como premio a ser disputada em um torneio. 
Lorde Royce era um cavaleiro diferente, um guerreiro cuja força era lendária. Tinha uma grande cicatriz em sua bochecha, além do caráter difícil, para mantê-lo afastado das mulheres. 
Entretanto, é este cavaleiro que a leva prisioneira a Londres. No esplendor da corte de William, o Conquistador, em Londres, depois de ter salvado a vida da sobrinha do rei e, sendo uma cativa, Lady Nicholaa foi forçada a escolher um esposo entre os nobres normandos. Ela escolheu Royce, o barão não podia esconder seu coração terno e cavalheiresco dela. Engenhosa, rebelde e totalmente ingênua, Nicholaa prometeu conquistar Royce para si, pois o turbilhão de sentimentos que ele despertou nela são provas do que pode haver entre eles. 
Feroz em batalha, temperamental na paixão, Royce foi surpreendido pela profundidade de seu sentimento, enquanto acariciava sua noiva charmosa. Em um clima de traição, onde saxões conspiram contra seus invasores normandos, Nicholaa e Royce descobrem um precioso amor. 
Juntos deverão averiguar quem é realmente o novo senhor de Rosewood e como se comportará frente aos irmãos de Nicholaa, Justin que perdeu sua mão direita em batalha e Thurston um traidor do rei que quer matar seu esposo. Uma ligação fervorosa que logo será posta a prova pelo chamado do sangue, da família e do país! 

Capítulo Um

Inglaterra, 1066 
Nunca soube o que lhe tinha golpeado. Em um momento, o barão Royce estava secando o suor da testa com o dorso de seu braço vestido de couro e, no minuto seguinte se encontrava estendido de costas no chão. Ela o tinha derrubado. Literalmente. 
Tinha esperado até que ele tirasse o elmo. Logo, tinha desenhado um círculo muito alto, por cima de sua cabeça, com a estreita tira de couro. 
A pequena pedra que se encontrava no centro de sua funda improvisada tinha ganhado tanta velocidade que era impossível segui-la com a vista. O som que emitiu o couro ao cortar o ar foi similar ao grito de uma fera em agonia: meio grunhido, meio assobio. Entretanto seu objetivo estava muito afastado para escutar o ruído, pois ela se ocultou nas gélidas sombras matinais do caminho, no alto da muralha, enquanto que ele estava muito mais abaixo, junto à base de uma ponte levadiça de madeira, a uns vinte metros, segundo seus cálculos. O monumental normando acabou sendo um alvo simples. 
O fato de que ele fosse também o líder dos infiéis, que tratavam de roubar as posses de sua família, havia adoçado sua concentração. 
Para ela, o gigante havia se convertido em Golias. E ela era o seu David. Mas a diferença do santo herói da antiga lenda, ela não tinha tido intenções de matar seu adversário. Se fosse esse seu objetivo, teria apontado diretamente à têmpora. Não, ela só tinha querido golpeá-lo. E por essa razão tinha escolhido a testa. Se Deus quisesse, talvez o tenha marcado para o resto de seus dias, como aviso, pela atrocidade que ele tinha cometido nesse triste dia de vitória. 
Os normandos estavam ganhando essa batalha. Em uma hora ou duas a mais, invadiriam o santuário interno. Ela sabia que era inevitável. Seus soldados saxões, desgraçadamente, encontravam-se nesse momento em uma desfavorável desigualdade numérica. 
A única alternativa lógica que restava era empreender a retirada. Sim, era inevitável, mas também odiosamente exacerbado. Esse gigante normando era o quarto homem que o bastardo do William da Normandia, tinha enviado, desafiando-a, nas últimas três semanas, para apoderar-se de sua fortaleza. 
Os três primeiros lutaram como meninos. Tanto ela como os homens de seu irmão conseguiram reprimi-los com facilidade. Mas este era diferente. Não se entregaria tão fácil. Muito cedo, ficou evidente que tinha muito mais caráter que seus predecessores. Certamente, parecia muito mais ardiloso.








Um Verão de Rendição

Série Estações  
Lucien, o Conde de Stenfax ficou noivo duas vezes, mas se apaixonou apenas uma vez. 

E foi por sua namorada de infância, Elise. Quando ela o trocou por outro homem com mais dinheiro e um título mais elevado, o destroçou. 
Agora ela está viúva e ele encontra-se atraído por ela de novo, como uma mariposa pela chama.
Elise teve suas razões para se afastar de Lucien, razões pelas quais ele não entende. 

De volta à sociedade, ela está agora financeiramente desesperada e até mesmo pensando em se tornar amante de alguém. Mas Lucien continua aparecendo nos momentos mais inoportunos e é apenas uma questão de tempo até que o desejo entre eles exploda. 
O tempo dirá se Lucien será capaz de se ver além de seu desejo de vingança. E se Elise pode convencê-lo de que ela é digna de mais, apesar do passado.

Capítulo Um

— Eu estou indo para casa — disse Stenfax, não olhando para sua irmã Felicity, nem para Gray e sua esposa Rosalinde, mas continuando a olhar para a multidão que ria alto demais.
Felicity virou-se para ele, seus olhos brilhantes cheios de preocupação. Deus, todo mundo sempre olhava para ele com preocupação nos dias de hoje. Era cansativo.
— Oh, por favor não vá, Lucien — disse ela, agarrando sua mão com as suas. — Nós não dançamos uma dança Alemã ainda.
Lucien arqueou uma sobrancelha.
— Você despreza as danças alemãs, Felicity. Tente fazer suas pequenas mentiras para me manter aqui mais crível.
Felicity revirou os olhos e, em seguida, mostrou a ponta de sua língua para ele.
— Foi à primeira coisa que me veio à mente, droga. Mas eu realmente não quero que você vá. Tem sido assim por muito
tempo desde que fomos todos para uma festa juntos e realmente não gastamos muito tempo uns com os outros.
— Sim — disse Gray, inclinando a cabeça para chamar a atenção de Stenfax. — Fique. Eu diria alguma coisa sobre a dança, mas Felicity já foi pega naquela mentira, então me dê um momento e eu vou com uma desculpa.
— Sem desculpas — Rosalinde disse gentilmente. — Nós só desejamos desfrutar da sua companhia, como diz Felicity.
Stenfax suspirou. — Você é quase impossível de recusar quando se uni para trabalhar contra mim. — Ele balançou a cabeça. — Quase. Olha, eu não estou me divertindo, esta festa é muito cheia e está orquestra é muito possivelmente o pior que eu já ouvi. Minha cabeça está latejando e em um momento eu posso começar a berrar sobre política e arruinar toda a noite. É melhor eu ir agora antes da noite se deteriora em socos com alguém de Setenta anos de idade que não quer que mudanças aconteçam em sua vida ou de qualquer outra pessoa.
Gray suspirou e trocou um olhar com as mulheres antes que ele bateu a mão no ombro de Stenfax.
— Muito bem, parece que não há como dissuadir você. Pelo menos permita-me levá-lo para fora .
Stenfax acenou com a cabeça antes de beijar a bochecha de Felicity, depois a de Rosalinde, e desejasse boa noite a elas. Os dois homens, em seguida, atravessaram o salão de baile e sairam para o hall de entrada muito mais silencioso. Stenfax chamou a atenção de um lacaio e levantou a mão para enviar o menino
correndo para seu cavalo. Seria provável ter alguns momentos para organizá-lo com a sua saída tão cedo.
— O que é isso? — Gray perguntou quando eles estavam sozinhos no pequeno espaço.
Stenfax deixou seus olhos fechados. Este era um tema que ele não queria abordar, com ninguém.
— Nada — ele disse suavemente.
Gray virou-se para encará-lo de frente.
— Você está desligado Lucien. Bloqueando-nos. É como... — Stenfax olhou para o irmão a tempo de ver o rosto de Gray torcido momentaneamente. — É como antes.
Stenfax se encolheu ao ver a expressão crua de seu irmão mais novo. A dor dele o obrigou a pensar naquela noite três longos anos atrás, quando ele quase terminou com sua vida. Houve várias sequelas dessa experiência horrível em cada momento da sua existência desde então. Sequelas que não poderiam ser negadas, ao ouvir o sussurro fraco do medo na voz de seu irmão super-protetor era um deles. Ele colocou a mão no antebraço de Gray e pressiona suavemente.
— Não é, eu lhe garanto.
Por um momento deu para perceber o alívio de Gray, mas depois desapareceu. Ele inclinou a cabeça ligeiramente.
— Eu não quero ser grosseiro, mas quanto tempo tem sido?



Série Estações
1- Um Caso no Inverno
2- A Decepção da Primavera
3- Um Verão de Rendição

21 de agosto de 2017

A Justa




Em um mundo onde comanda a espada, os homens decidem sobre tudo e as mulheres não são tidas em conta, duas jovens se rebelam.

Quando o pai de Annabella pretende casá-la com o cavaleiro que ganhar uma justa organizada para esse fim, esta irá pedir ajuda a sua amiga Catriona.
Catriona é uma moça escocesa, de passado enigmático, que conhece a arte da espada. 
Quando sua única amiga pede ajuda, ela aceita sem duvidar, apesar de seu passado poder retornar. As jovens superarão os obstáculos e atingirão seus objetivos? Ou elas serão amarradas ao futuro que os homens escolheram para elas?

Capítulo Um

― Isto é humilhante, pai.
Lady Annabelle fervia de raiva e impotência. Andava com seu corpo esguio, através da pequena sala, como um animal enjaulado. As mãos nos quadris, completamente brancas com o esforço para mantê-las no lugar. Desejou, mil vezes mais, bater em seu pai com elas.
Era uma mulher alta, acima da média, mas seu corpo bem esculpido era gracioso. E tinha um belo rosto, emoldurado por seu cabelo dourado brilhante. Havia provocado suspiros entre os homens, mas não o suficiente para cair a seus pés. E seu pai estava ficando impaciente. Iria completar vinte e um anos, e ninguém parecia cortejá-la. É claro que ela não facilitava. Permanecia tão inacessível quanto podia. Por essa razão, seu pai tinha tomado medidas sobre o assunto.
― Eu acho que é bastante razoável, Belle.
― Razoável? ― Ela confrontou-o com os olhos cheios de fúria ― Permitir que um cavaleiro áspero e rude despose-me só porque ganhou uma justa estúpida?
― Para ganhar não somente a força é necessária, filha. O vencedor será um grande marido para você. Você estará segura e protegida com ele.
― Besteiras! ― Voltou a andar novamente ― Não vou permitir. É… É… Degradante, ultrajante, deprimente, desonroso, desprezível, indecente, vergonhoso…
― Chega Annabelle! Não há nada que você possa dizer para me fazer mudar de opinião.
― E minha opinião não conta?
― Não.
― Antiquado, vil, desprezível…
― Eu disse basta! ― o havia enfurecido além do impossível.
― Não vou ficar de braços cruzados enquanto estes brutos estão brigando por minha mão. Qualquer um poderia vencer a justa. Apenas precisaria ser inteligente. Isso não prova que eles podem defender-me como espera.
― Você está insinuando que um homem poderia vencer apenas com sua inteligência? Seu julgamento está nublado, filha. Ninguém poderia.
― Eu conheço alguém que poderia ― uma idéia começou a se formar em sua cabeça ― E não é alto, nem forte, nem estúpido, mas colocaria em ridículo qualquer um dos seus homens.
― E onde está esse cavaleiro?
― Ele não é um cavaleiro, pai. Mas venceria qualquer um dos seus até mesmo de olhos fechados ― Talvez ela estivesse exagerando também, mas não havia como voltar atrás. O desespero estava falando e agora não poderia se retratar.
― Está bem, Belle ― cruzou os braços ― Se você está tão certa disso, chame-o. Que lute por ti. E se vencer, como eu vejo que você o tem em tão alta estima, permitirei que se case contigo.
― Não, pai. Eu nunca faria uma coisa dessas. Mas, se vencer, você me permitirá escolher ao meu marido.
― O quê? Impossível.
― Tão impossível quanto alguém da minha escolha vencer as justas, certo? Se você está tão certo de que ninguém pode com os seus 5
cavaleiros, não deveria ter problemas em aceitar a minha proposta, pai ― desafiou-o.
― Está bem ― concedeu depois de pensar nisso ― Se consegue que seu cavaleiro…

Ousada Debutante

A noiva indecorosa do duque!

Frederick, o duque de Falconwood, jurou nunca se casar. 

Em vez isso, ele se dedicou a proteger seu país. 
Contudo, ao ser pego com uma ousada jovem em uma posição bastante comprometedora, Freddy precisa desposá-la para preservar a reputação de Minette Rideau. 
Por mais que anseie pelos toques sensuais do rigoroso duque, Minette sabe que não pode se tornar sua esposa. Afinal, render-se ao desejo revelará um segredo vergonhoso, que colocará em risco muito mais do que apenas sua virtude.

Capítulo Um

O fedor abominável revestiu a garganta de Minette Rideau. Erguendo as saias com uma das mãos, a outra agarrando o braço de Granby, ela se concentrou em dar apenas ligeiras inspiradas ao cruzar as pedras escorregadias de Bridge Alley. Uma das muitas passagens estreitas no revoltante distrito de St. Giles, ela levava ao inferninho mais infame de Londres. O único de propriedade de um duque: Falconwood. O homem pelo qual agora ela colocava em risco a próprio reputação, indo ao encontro dele no seu reduto.
Antigos cortiços ladeavam ambos os lados da passagem, o brilho dos lampiões lhes dando um aspecto ameaçador. Ao redor, ruídos de uma massa fervilhante de humanidade rompiam a escuridão. Gritos e impropérios, música vinda da taverna da esquina. Uma criança chorando, uma mulher tossindo.
Tão diferente da elegância de Mayfair, contudo, longe de ser o pior que já vira.
Granby deteve-se diante de uma baixa porta de madeira, com dobradiças de ferro. O lampião acima da porta dava um brilho oleoso ao lodo escorrendo pelo regato central do beco.
— Chegamos? — perguntou ela. — O Fool’s Paradise?
— Sim — respondeu Granby com a voz rouca.
Foram necessários todos os poderes de persuasão de Minette para convencer o tenente, o honrado Laurence Granby, a escoltá-la quando revelara o seu destino. Agora, espiava por sobre o ombro com a expressão de quem recuperara o senso de autopreservação e receava por sua vida. Por fim, ele se dera conta de que, se esta pequena aventura algum dia viesse à luz, estaria destinado a uma carroça de problemas.
Ele pigarreou.
— Não pode querer que eu a leve aí dentro — disse, implorando para que ela mudasse de ideia.
Uma sensação desagradável se contorceu no seu íntimo. Uma consciência culpada era uma companheira desagradável, mas não desconhecida. A culpa estava por trás daquela expedição aos piores cortiços de Londres. Mesmo quando a ideia lhe ocorreu, ela soube que ele não merecia ser colocado em uma situação tão constrangedora. Honra pesou na balança contra a conduta cavalheiresca, e não houve como conciliar as duas coisas. Era um jovem bom. Sincero. Honesto. E por demais suscetível a manipulações femininas. Apesar de a consciência a incomodar, no fim das contas, ela não fora capaz de pensar em uma alternativa melhor.
Pior, talvez tudo acabasse sendo por nada. Durante anos, o homem em busca de quem ela viera fizera de tudo para evitá-la, daí a charada. Apesar de todos os seus planos cuidadosos, ele poderia facilmente mandá-la embora e entregá-la para Gabe, o marido da irmã.
Se isso acontecesse, teria de pensar em outra maneira de alcançar os seus objetivos e evitar o desastre.
Um desastre que ela colocara em movimento anos antes. Quando ainda fora jovem e excessivamente imprudente. Sem falar em apaixonada.
Ela acariciou o braço de Granby.
— Com certeza, não vai voltar atrás na sua palavra, não é?


18 de agosto de 2017

O Castelo do Lago

Guy foi abandonado no porto de Newcastle quando era apenas um bebê. 

Adotado e criado por uma mulher humilde, estudou e trabalhou com afinco até se converter num dos empresários mais poderosos da Inglaterra. 
Tessa é uma princesa austríaca, a herdeira de uma grande família, agora arruinada. 
Somente lhe ficou sua paixão pela música e um desmantelado castelo junto a um lago. Esse mesmo castelo que Guy decidiu presentear a sua altiva noiva e onde pensa dar uma representação de ópera para celebrar o compromisso. A magia da música unirá os destinos de Tessa e Guy, e nada poderá ser como antes.

Capítulo Um

Voltou à capital de um império desmembrado. Uma cidade empobrecida pela derrota e nas garras da inflação mas, mesmo assim, formosa. Os teatros estavam abertos, as salas de concertos, abarrotadas. Os vienenses continuavam dançando, seguiam cantando. 
Às vezes, enquanto a recém-nascida república lutava contra a escassez e o descontrole que a guerra deixou, até podiam comer. Guy alugou uma suite no Sacher, se assegurou de que sua taquígrafa e seu chofer estivessem convenientemente alojados não muito longe e se permitiu uma semana dessas práticas empresariais ferozes que era o seu selo particular. 
Após uma batalha espetacular, arrancou as concessões de cobre de Eisen Gebirge das mãos de um sindicato armênio e derrotou com fúria um multimilionário da Africa do Sul na adquisição dos depósitos de carvão nas imediações de Graz. Depois, consideravelmente vigorizado, se apresentou na Tesouraria e mergulhou no trabalho para o qual havia ido a Viena. Uma tarefa envolta em mistério, tão exigente e tão vital, como aparentemente aborrecida. 
Áustria queria solicitar um colossal serviço à Liga das Nações, considerando que era a sua única oportunidade de estabilizar sua moeda e empreender o caminho da recuperação. O governo britânico havia enviado Guy para ajudar a nova república a apresentar seu caso ante a Liga, temendo que uma Áustria debilitada para sempre buscaria uma aliança com a Alemanha. 
Se alguém lhe houvesse visto se aplicar com paciência e discrição dia apos dia à sua tarefa, jamais suspeitaria o quão insuportável era a demorada burocracia e as superficiais funções sociais nas grandiosas e mal ventiladas salas de Hofburg. Até que em um ensolarado sábado de finais de março, respondendo à chamada de seu jovem secretário David Tremayne, Guy abandonou a cidade, dispensou o seu chofer e com o seu carro rumou para a fortaleza conhecida pelo nome de Pfaffenstein. Era o castelo mais famoso da Áustria, a encarnação, durante quase um milênio, do poder defensivo e do ataque, de sua grandeza e seu orgulho. Só a sua localização já era de tirar o fôlego. Ficava à beira de um lago verde-escuro, cujas águas glaciais eram de gelar o sangue, até mesmo em pleno verão, estava erguido em uma subida rochosa que parecia alcançar o céu, os pinheiros rodeavam a sua base. 
A este, um despenhadeiro dividia a parte de cima da de baixo por uma falha vertical na rocha em direção à planície húngara. Ao norte se apreciavam as ladeiras arborizadas e os picos serrados dos montes Pfaffenstein. A oeste, a descida era mais suave, era coberta de vinhedos e árvores frutíferas que se fundiam na distância com as montanhas nevadas dos Alpes. 
Na parte de cima daquele gigantesco penhasco, último bastião do sopé do Pfaffenburg, os francos haviam construído uma fortaleza na época de Carlo Magno, embora não tenham sido os primeiros. 









Trad.Paraíso da Leitura

Marlene

A famosa soprano Micaela Urtiaga Four, conhecida na Europa como A Divina Four, decidiu voltar a Buenos Aires, sua cidade natal, depois de anos de ausência.

No entanto,a tranquilidade que ela desejava encontrar entre seus entes queridos se transforma em um turbilhão quando sua vida fica, de repente, ligada à de Carlo Varzi, um cafetão do bairro de La Boca, um homem temível e sem escrúpulos com um passado tão escuro quanto seu presente. E embora Micaela tente superar a atração que o homem exerce sobre ela, ela finalmente cederá ao impulso que a domina. Remorso e medo, desejo e paixão; o conflito será inevitável.
Este romance, situado na Buenos Aires que deu origem ao tango, retrata a história de uma mulher lutando para superar seus medos e defender seu amor, e de um homem tentando se redimir no contexto mais humilhante, também para o amor.

Capítulo Um

Buenos Aires, maio de 1899.
Esse sábado, as crianças Urtiaga Four tinham desejado ver sua mãe todo o dia. Gastón María fez manha e não houve forma de que tomasse o leite nem o azeite de fígado de bacalhau. Micaela, mais submissa, encerrou-se em seu quarto e não voltou a sair.
Eram pequenos e não entendiam por que sua mãe sempre estava de cama, indisposta, o criado-mudo abarrotado de frascos escuros, os médicos que iam e vinham, o rosto desolado de seu pai, e agora, a novidade das enxaquecas que não a deixavam viver.
Já era quase sete da tarde. A mama Cheia pensou que era uma hora prudente para que Micaela e Gastón María visitassem a patroa, e assim os fez saber. Os meninos correram em direção ao quarto de sua mãe. A negra Cheia, não tão jovem e excedida em peso, seguia-os com dificuldade.
—Meninos, parecem desordeiros! Por amor de Deus! Não entrem assim no quarto de sua mãe que lhe parte a cabeça!
Ao chegar ao quarto da patroa Isabel, Cheia encontrou a porta entreaberta; os meninos já tinham entrado. Olhou e não viu ninguém. Encaminhou-se à penteadeira e, ao transpor a porta, o quadro com o que topou deixou-a estupefata: a senhora Isabel, inconsciente dentro da tina, com os pulsos cortados e os meninos contemplando-a em silêncio.
Seu próprio grito a tirou do transe, a ela e ao pequeno Gastón María, que deu um uivo, soltou-se da mão de sua irmã e saiu correndo. Micaela, inalterável, olhava a sua mãe. A água sanguinolenta jorrava e quase lhe tocava a ponta dos sapatinhos.
Os olhos da menina alternavam entre o rosto pálido de Isabel e uma navalha no piso. Absorta, não escutava os gritos de Cheia, nem se dava conta de que Gastón María já não lhe sustentava a mão, nem de que os serventes se amontoavam na entrada. Aproximou-se da tina decidida a despertar sua mãe.
—Não, Micaela! A menina sentiu um puxão, alguém que a afastava. Esperneou, gritou e sacudiu os braços como louca. Cheia pegou-a pela cintura e a afastou dali. Micaela não recordava de sua mãe a não ser na cama, com o rosto doentio e o gesto melancólico.
Isabel, a formosa atriz cheia de vida, pertencia a uma lenda que lhe fascinava escutar. Tinham-lhe contado que, sobre o palco, sua mãe provocava angústia com seu pranto, risadas desenfreadas com suas piadas, suspiros com sua beleza. Depois de vê-la, as pessoas não saíam iguais do teatro, pois Isabel chegava às fibras mais sensíveis delas. Seu público a amava.
O jovem Rafael Urtiaga Four a conheceu no auge de sua carreira, quando o Teatro Politeama vibrava a cada noite com suas apresentações. Rafael teve sorte com ela; um dândi da sociedade portenha como ele, com relações e vínculos por toda parte, sempre conseguia o que desejava. E a desejava, e muito. Um amigo os apresentou uma noite depois do teatro.
 Isabel o apanhou em seu furacão e o enfeitiçou com sua formosura. Rafael a amou desde o primeiro dia. Ela também se entregou, com o mesmo ardor com que fazia tudo; não, com maior paixão ainda: estava louca por ele. Casaram-se em pouco tempo e nenhum dos Urtiaga Four deu seu consentimento; as bodas foram um escândalo familiar. "Uma atriz!"










14 de agosto de 2017

Através da Fumaça

Uma traição chocante…

Ricos. Poderosos. Uma antiga linhagem de orgulho. O Conde de Druridge queria apenas um herdeiro. 
Então quando soube que sua esposa estava carregando a criança de outro homem, ele foi preenchido pela sede da vingança. Mas não foi ele quem causou a morte de Katherine. Ou foi? 
Para seu horror, ele não se lembra de nada daquela noite horrorosa, quando seu ultimo confronto terminou em chamas ardentes e sangue frio.
Um amor proibido…Rachel McTavish, a bela filha de um mineiro, sabia alguma coisa sobre o incêndio que tomou a vida de Lady Katherine. Em segredo, a garota teimosa fez uma barganha com o conde desesperado: ele deveria mandar um médico para ajudar a sua mãe moribunda ou ele poderia ir para o diabo ― e para o patíbulo. Ele concordou, mas ela ainda está insegura se a sua revelação será o suficiente para salvá-lo quando tantos queriam-no morto. Apaixonadamente atraída pelo nobre, apesar de toda a dúvida e mistério que o rodeiam, Rachel imagina se ele realmente pode ser um assassino. Ou se ele será o único homem que alguma vez terá o seu coração.

Capítulo Um

Creswell, Inglaterra , Fevereiro de 1840
Algo coçava. Rachel McTavish se contorceu, tentando alcançar o lugar bem debaixo do seu seio esquerdo que coçava sem misericórdia, mas as camadas de chemise, espartilho e vestido de lã anulavam os esforços dos seus dedos.
Empoleirada em uma escada que estava apoiada nas prateleiras da livraria da sua mãe, ela olhou em volta da loja vazia e através da janela da frente. Ainda era cedo. Nenhum carrinho ou carruagem barulhento passava.
Mergulhando uma mão na gola do vestido, ela fechou os olhos e coçou… Ahhh… que abençoado alívio!
O sino tocou sobre a porta. Os olhos de Rachel se abriram para encontrar um homem parado bem na entrada, olhando para ela com um sorriso divertido nos lábios. Só que não era qualquer homem, era o Conde de Druridge. Embora Rachel nunca tivesse visto-o de tão perto, ela o teria reconhecido em qualquer lugar. Ela tinha temido que ele pudesse aparecer. Seu advogado já a tinha visitado três vezes.
Seu couro cabeludo formigou com apreensão e embaraço enquanto ela tirava a mão de dentro do corpete.
― Desculpe por interrompê-la, senhorita McTavish. ― Sua voz era de um barítono profundo; mais densa e rica que o mel. ― Posso ver que você está muito ocupada, mas eu acho que você sabe por que estou aqui.
Ignorando a provocação sutil, Rachel desceu da escada, meio que desejando poder ficar onde estava, bem longe do alcance dele. Ela se sentia como um passarinho imprudente abandonando a segurança da sua gaiola para voar por cima do nariz de um gato.
Mas ela sabia que a relativa segurança da escada era uma ilusão. O conde não era nada como seu advogado baixinho e de óculos, na aparência ou no comportamento, e podia não ser tão facilmente manipulado.
― Não tenho nada a dizer a você, sir. Eu já contei ao Sr. Lewis e a seu mordomo, Linley, antes e em mais de uma ocasião.
― É, você contou. ― Ele sorriu, mas nenhuma gentileza atingiu seus olhos cor de âmbar. ― Talvez eles não tenham mencionado que eu estou disposto a fazer com que sua cooperação valha o esforço.
Lorde Druridge tinha uma cabeça cheia de cabelos pretos e ondulados e era vários centímetros mais alto que a maioria dos homens. 
Uma vez no mesmo nível que ele, Rachel teve que inclinar a cabeça para cima para olhar o rosto dele, uma face dura e seca o bastante para lembrá-la de lobos famintos que se sabia que vagavam pelo campo. Embora ele provavelmente tenha acabado de se barbear, uma sombra de uma espessa barba escurecia a sua mandíbula. E ele estava usando luvas, mas ela tinha ouvido que as cicatrizes do incêndio em Blackmoor Hall há dois anos havia marcado a sua mão esquerda, se estendendo tão longe em suas mangas quanto alguém poderia ver.
― Seu homem mencionou uma bolsa funda, mas não estou interessada. Meu pai está morto. Eu não tenho nada a dizer a você.
― Seu pai pode estar morto, mas por muito pouco, eu não estou. ― O conde deu um passo em direção a ela, seu rosto perdendo toda a capa de civilidade. ― Eu não descansarei até saber o que aconteceu no dia do incêndio que matou a minha esposa e a criança que ela carregava
― O bebê de outro, pelo que se diz. 


A Dama de Companhia

Relançamento
Inglaterra, 1815

Salvo por um anjo apaixonado!
Seriamente ferido no campo de batalha, Kit Armstrong, conde de Hawthorne, voltou para casa para receber cuidados médicos. Mas como fazê-lo voltar à vida, se tudo que ele desejava era ter perecido no campo de batalha como tantos outros?
Chloe era apenas uma dama de companhia. Mas sua alegria quase juvenil, seu sorriso radiante mesmo diante das maiores adversidades e seu jeito amoroso fez com que os olhos de Kit Armstrong readquirissem o brilho então inexistente. Seria o amor o responsável por trazê-lo de volta à vida?

Capítulo Um

Christopher Armstrong, antigo membro da 20ª Cavalaria, permanecia em pé ao lado das janelas altas, e apreciava as cores brilhantes do outono de Yorkshire. Os bosques cerrados de carvalhos, faias e tílias vicejavam. Os gramados bem cuidados que se estendiam pela paisagem pitoresca. Era tudo dele. E aquilo não lhe dizia absolutamente nada.
— Hawthorne? — O som estridente da voz de sua avó quebrou o silêncio. Christopher estremeceu ao ouvir o nome que não lhe agradava.
— Meu nome é Kit — ele afirmou, sem se voltar.
— Isso é um absurdo! — a avó retrucou. — Agora, como conde de Hawthorne, não pode mais comportar-se como um simples plebeu rastejando atrás do comando de seu irmão! Além do mais, esta família é responsabilidade sua!
Kit não se moveu. Já ouvira aquilo várias vezes, desde que voltara para casa. Não se falava na sua carreira militar e nem na perda chocante de seu irmão. Nada. Era apenas a repetição constante de seus deveres. De certo modo, era como estar de volta ao Exército. Um corpo amorfo para ser usado em caso de necessidade.
Só que, nesse caso, em vez de entregar-se a seu país, tinha de sacrificar-se em favor da posição ilustre da família. Pelo menos, no entender de sua avó. Ele fora para a batalha com a mais honorável das intenções, mas não sentia nenhum entusiasmo pelos ornamentos duvidosos do poder político, da riqueza e dos privilégios. Nem tinha o menor interesse na continuação de uma pretensa dinastia que havia se reduzido a um ferido de guerra e uma velha ranzinza.
— O senhor me escutou? — ela gritou e bateu a bengala, para o caso de ele não ter ouvido.
Kit torceu os lábios, embalado por lembranças muito antigas. Houve tempo em que apenas o som daquele bastão atemorizava a ele e a seu irmão, nos dias longínquos e bucólicos da infância. Todos, até seu pai, se curvavam diante da famosa viúva que conservara o título do marido.
Mas, naquele momento, Kit via a avó como ela realmente era. Uma mulher envelhecida, zangada com o destino, e sem poder para mudá-Io. Ela acostumara-se a comandar a vida dos que estavam a seu redor e Kit a desapontara em todas as suas exigências. Ele se esforçara para conseguir sua patente em parte para contrariá-Ia. Mas acabara muito mais ferido do que ela.
Sua avó parecia ter sido feita de pedra. Kit nem mesmo saberia dizer se ela lamentava a perda de Garrett. Embora vestisse o luto necessário, ela não demonstrava tristeza. Ele não passava um segundo sem sofrer. Não somente por seu irmão, mas por todos os homens que serviram sob seu comando. Por todos os que haviam morrido no massacre sangrento de Waterloo. Por todos que haviam ido para a guerra, para nunca mais voltar.
E ali estava ele, não apenas vivo, mas supostamente próspero como o quinto conde de Hawthorne. Era mesmo uma ironia. Enquanto ele enfrentava batalhas e escapava da morte, Garrett, que permanecera em casa e em segurança, havia perdido a vida. Disseram que ele se cortara nos equipamentos agrícolas que sempre o fascinaram e morrera uma semana depois.
Era estúpido, sem sentido e insustentável. Kit nem se recordava de quantas vezes fora cortado por navalha e até mesmo por uma espada. Em Waterloo, fora atingido por um projétil e ficara esmagado debaixo de seu cavalo. O que lhe rendera costelas quebradas, numerosas contusões e uma perna proclamada imprestável. Ainda assim, Kit exigira que o engessassem. Com muito empenho e força de vontade, seu sofrimento deixara como consequência apenas uma leve claudicação.
Naquela altura, ele se perguntava de que lhe valera o esforço. Estava sendo medicado em Bruxelas, quando Garrett morrera. Embora a avó jurasse haver mandado um mensageiro, esse nunca o encontrara, por causa da grande confusão reinante depois de Waterloo.
Voltara para casa, para se recuperar, e a encontrara de luto. O funeral já terminara há muito tempo e sua avó estava determinada a fazê-lo substituir o irmão. Se ele não houvesse se alistado no Exército e enfrentado batalhas, poderia ser capaz de tomar o lugar de Garrett. Mas, então, não tinha estômago para suportar aquilo. Ele não se interessava por nada e nem queria ser um Hawthorne.
— O senhor precisa assumir o controle das propriedades!



12 de agosto de 2017

Uma Rosa na Tempestade

Quando a rivalidade se torna paixão...

Com a guerra em chamas na Escócia, o destino do legado dos Comyn-MacDougall depende de uma mulher.
Recentemente órfã, a jovem Margaret Comyn deve garantir a segurança de seu clã através de um casamento arranjado. Mas quando uma invasão inimiga a põe à mercê do notório Lobo de Lochaber fazendo com que toda a sua lealdade - e sua vontade secreta - seja desafiada.
E um reino está entre eles...Guerreiro lendário Alexander 'the Wolf' MacDonald cavalga com Robert Bruce para conquistar o trono da Escócia. Mas quando ele toma a prisioneira ardente Lady Margaret, ela rapidamente se torna muito mais do que uma valiosa refém, pois, a paixão entre eles ameaça trair suas famílias, seu país ... e seus corações.

Capítulo Um

Loch Fyne, as Highlands, 14 de fevereiro de 1306
— Há muito silêncio.
Margaret não ouviu a voz de Will. Ia a cavalo pelo bosque de Argyll, junto a seu irmão, à cabeça de uma coluna de cavaleiros, soldados e serventes. Olhava para frente.
O castelo surgia tão repentinamente de entre os escarpados e as colinas nevadas que, quando a gente saía do bosque, tal e como eles acabavam de fazer, podia confundi-lo com um penhasco negro. No entanto, era uma antiga fortaleza situada sobre um lago gelado. Na parte mais baixa do recinto, as muralhas eram grosas e sólidas,e na parte norte havia várias torres que se erguiam para o céu. A floresta ao redor do castelo e do lago estava cheia de neve, tal como as montanhas à noroeste.
Margaret respirou profundamente. Estava emocionada, e se sentia muito orgulhosa.
E pensou: Castle Fyne é meu.
Mary MacDougall, sua mãe, tinha nascido naquela fortaleza, e mais tarde a recebeu como dote por seu casamento. Castle Fyne era uma aquisição magnífica: estava nos limites mais ocidentais de Argyll, no caminho de saída do Solway Firth, rodeado por terras do clã Donald e do clã Ruari. Durante séculos, os homens tinham lutado por ele, mas nunca tinham sido capazes de tomá-lo da família MacDougall.
No entanto, não conseguia se livrar da ansiedade que sentia nas últimas semanas. Desde a morte de seu pai, ela estava sob a tutela de seu tio poderoso, John Comyn, conde de Buchan e recentemente ele tinha arranjado seu casamento com um cavaleiro Inglês famoso, Sir Guy de Valence.
― Este lugar está sob a mão de Deus. ― Disse Will, interrompendo seus pensamentos. ― Odeio. É demasiado silencioso. Nenhum pássaro.
Percebeu que seu irmão tinha razão, ela também se perguntou o porquê do silêncio, não se ouvia nem o barulho feito pelos esquilos nos arbustos ou veados ou raposas, não se ouvia nada. Não havia nenhum som, exceto o tilintar dos freios dos cavalos e um relincho.
Sua tensão aumentou.
― Por que está tudo tão quieto?
― Alguma coisa deve ter assustado os animais. ― Disse Will.
Eles se olharam. Seu irmão tinha dezoito anos, um a mais que ela, e era loiro como o pai, muito parecido com ele. No entanto, todo mundo dizia que ela era a cara de sua mãe, Mary: pequena, com cabelos loiros avermelhados e rosto oval.
― Devemos ir. ― Will disse bruscamente, levantando as rédeas. ― Apenas no caso de existir mais do que lobos nestas colinas.
Margaret olhou para a fortaleza. Faltava pouco tempo para que eles estivessem seguros dentro das muralhas. No entanto, antes de pressionar a égua para avançar, recordou o castelo na primavera, quando aos pés das paredes surgia um cobertor de flores azuis e roxas. Lembrou de ter saltado entre essas flores nas margens de um riacho, onde os cervos pastavam. Sorriu ao se lembrar da voz suave de sua mãe, que a chamava para que voltasse, e seu belo pai, entrando no quarto da torre seguido por seus quatro filhos e todo mundo animado falando ao mesmo tempo...








Série Escócia Medieval 
1- O Guerreiro e a Rosa
2- Uma Rosa na Tempestade




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