21 de agosto de 2017

A Justa




Em um mundo onde comanda a espada, os homens decidem sobre tudo e as mulheres não são tidas em conta, duas jovens se rebelam.

Quando o pai de Annabella pretende casá-la com o cavaleiro que ganhar uma justa organizada para esse fim, esta irá pedir ajuda a sua amiga Catriona.
Catriona é uma moça escocesa, de passado enigmático, que conhece a arte da espada. 
Quando sua única amiga pede ajuda, ela aceita sem duvidar, apesar de seu passado poder retornar. As jovens superarão os obstáculos e atingirão seus objetivos? Ou elas serão amarradas ao futuro que os homens escolheram para elas?

Capítulo Um

― Isto é humilhante, pai.
Lady Annabelle fervia de raiva e impotência. Andava com seu corpo esguio, através da pequena sala, como um animal enjaulado. As mãos nos quadris, completamente brancas com o esforço para mantê-las no lugar. Desejou, mil vezes mais, bater em seu pai com elas.
Era uma mulher alta, acima da média, mas seu corpo bem esculpido era gracioso. E tinha um belo rosto, emoldurado por seu cabelo dourado brilhante. Havia provocado suspiros entre os homens, mas não o suficiente para cair a seus pés. E seu pai estava ficando impaciente. Iria completar vinte e um anos, e ninguém parecia cortejá-la. É claro que ela não facilitava. Permanecia tão inacessível quanto podia. Por essa razão, seu pai tinha tomado medidas sobre o assunto.
― Eu acho que é bastante razoável, Belle.
― Razoável? ― Ela confrontou-o com os olhos cheios de fúria ― Permitir que um cavaleiro áspero e rude despose-me só porque ganhou uma justa estúpida?
― Para ganhar não somente a força é necessária, filha. O vencedor será um grande marido para você. Você estará segura e protegida com ele.
― Besteiras! ― Voltou a andar novamente ― Não vou permitir. É… É… Degradante, ultrajante, deprimente, desonroso, desprezível, indecente, vergonhoso…
― Chega Annabelle! Não há nada que você possa dizer para me fazer mudar de opinião.
― E minha opinião não conta?
― Não.
― Antiquado, vil, desprezível…
― Eu disse basta! ― o havia enfurecido além do impossível.
― Não vou ficar de braços cruzados enquanto estes brutos estão brigando por minha mão. Qualquer um poderia vencer a justa. Apenas precisaria ser inteligente. Isso não prova que eles podem defender-me como espera.
― Você está insinuando que um homem poderia vencer apenas com sua inteligência? Seu julgamento está nublado, filha. Ninguém poderia.
― Eu conheço alguém que poderia ― uma idéia começou a se formar em sua cabeça ― E não é alto, nem forte, nem estúpido, mas colocaria em ridículo qualquer um dos seus homens.
― E onde está esse cavaleiro?
― Ele não é um cavaleiro, pai. Mas venceria qualquer um dos seus até mesmo de olhos fechados ― Talvez ela estivesse exagerando também, mas não havia como voltar atrás. O desespero estava falando e agora não poderia se retratar.
― Está bem, Belle ― cruzou os braços ― Se você está tão certa disso, chame-o. Que lute por ti. E se vencer, como eu vejo que você o tem em tão alta estima, permitirei que se case contigo.
― Não, pai. Eu nunca faria uma coisa dessas. Mas, se vencer, você me permitirá escolher ao meu marido.
― O quê? Impossível.
― Tão impossível quanto alguém da minha escolha vencer as justas, certo? Se você está tão certo de que ninguém pode com os seus 5
cavaleiros, não deveria ter problemas em aceitar a minha proposta, pai ― desafiou-o.
― Está bem ― concedeu depois de pensar nisso ― Se consegue que seu cavaleiro…

Ousada Debutante

A noiva indecorosa do duque!

Frederick, o duque de Falconwood, jurou nunca se casar. 

Em vez isso, ele se dedicou a proteger seu país. 
Contudo, ao ser pego com uma ousada jovem em uma posição bastante comprometedora, Freddy precisa desposá-la para preservar a reputação de Minette Rideau. 
Por mais que anseie pelos toques sensuais do rigoroso duque, Minette sabe que não pode se tornar sua esposa. Afinal, render-se ao desejo revelará um segredo vergonhoso, que colocará em risco muito mais do que apenas sua virtude.

Capítulo Um

O fedor abominável revestiu a garganta de Minette Rideau. Erguendo as saias com uma das mãos, a outra agarrando o braço de Granby, ela se concentrou em dar apenas ligeiras inspiradas ao cruzar as pedras escorregadias de Bridge Alley. Uma das muitas passagens estreitas no revoltante distrito de St. Giles, ela levava ao inferninho mais infame de Londres. O único de propriedade de um duque: Falconwood. O homem pelo qual agora ela colocava em risco a próprio reputação, indo ao encontro dele no seu reduto.
Antigos cortiços ladeavam ambos os lados da passagem, o brilho dos lampiões lhes dando um aspecto ameaçador. Ao redor, ruídos de uma massa fervilhante de humanidade rompiam a escuridão. Gritos e impropérios, música vinda da taverna da esquina. Uma criança chorando, uma mulher tossindo.
Tão diferente da elegância de Mayfair, contudo, longe de ser o pior que já vira.
Granby deteve-se diante de uma baixa porta de madeira, com dobradiças de ferro. O lampião acima da porta dava um brilho oleoso ao lodo escorrendo pelo regato central do beco.
— Chegamos? — perguntou ela. — O Fool’s Paradise?
— Sim — respondeu Granby com a voz rouca.
Foram necessários todos os poderes de persuasão de Minette para convencer o tenente, o honrado Laurence Granby, a escoltá-la quando revelara o seu destino. Agora, espiava por sobre o ombro com a expressão de quem recuperara o senso de autopreservação e receava por sua vida. Por fim, ele se dera conta de que, se esta pequena aventura algum dia viesse à luz, estaria destinado a uma carroça de problemas.
Ele pigarreou.
— Não pode querer que eu a leve aí dentro — disse, implorando para que ela mudasse de ideia.
Uma sensação desagradável se contorceu no seu íntimo. Uma consciência culpada era uma companheira desagradável, mas não desconhecida. A culpa estava por trás daquela expedição aos piores cortiços de Londres. Mesmo quando a ideia lhe ocorreu, ela soube que ele não merecia ser colocado em uma situação tão constrangedora. Honra pesou na balança contra a conduta cavalheiresca, e não houve como conciliar as duas coisas. Era um jovem bom. Sincero. Honesto. E por demais suscetível a manipulações femininas. Apesar de a consciência a incomodar, no fim das contas, ela não fora capaz de pensar em uma alternativa melhor.
Pior, talvez tudo acabasse sendo por nada. Durante anos, o homem em busca de quem ela viera fizera de tudo para evitá-la, daí a charada. Apesar de todos os seus planos cuidadosos, ele poderia facilmente mandá-la embora e entregá-la para Gabe, o marido da irmã.
Se isso acontecesse, teria de pensar em outra maneira de alcançar os seus objetivos e evitar o desastre.
Um desastre que ela colocara em movimento anos antes. Quando ainda fora jovem e excessivamente imprudente. Sem falar em apaixonada.
Ela acariciou o braço de Granby.
— Com certeza, não vai voltar atrás na sua palavra, não é?


18 de agosto de 2017

O Castelo do Lago

Guy foi abandonado no porto de Newcastle quando era apenas um bebê. 

Adotado e criado por uma mulher humilde, estudou e trabalhou com afinco até se converter num dos empresários mais poderosos da Inglaterra. 
Tessa é uma princesa austríaca, a herdeira de uma grande família, agora arruinada. 
Somente lhe ficou sua paixão pela música e um desmantelado castelo junto a um lago. Esse mesmo castelo que Guy decidiu presentear a sua altiva noiva e onde pensa dar uma representação de ópera para celebrar o compromisso. A magia da música unirá os destinos de Tessa e Guy, e nada poderá ser como antes.

Capítulo Um

Voltou à capital de um império desmembrado. Uma cidade empobrecida pela derrota e nas garras da inflação mas, mesmo assim, formosa. Os teatros estavam abertos, as salas de concertos, abarrotadas. Os vienenses continuavam dançando, seguiam cantando. 
Às vezes, enquanto a recém-nascida república lutava contra a escassez e o descontrole que a guerra deixou, até podiam comer. Guy alugou uma suite no Sacher, se assegurou de que sua taquígrafa e seu chofer estivessem convenientemente alojados não muito longe e se permitiu uma semana dessas práticas empresariais ferozes que era o seu selo particular. 
Após uma batalha espetacular, arrancou as concessões de cobre de Eisen Gebirge das mãos de um sindicato armênio e derrotou com fúria um multimilionário da Africa do Sul na adquisição dos depósitos de carvão nas imediações de Graz. Depois, consideravelmente vigorizado, se apresentou na Tesouraria e mergulhou no trabalho para o qual havia ido a Viena. Uma tarefa envolta em mistério, tão exigente e tão vital, como aparentemente aborrecida. 
Áustria queria solicitar um colossal serviço à Liga das Nações, considerando que era a sua única oportunidade de estabilizar sua moeda e empreender o caminho da recuperação. O governo britânico havia enviado Guy para ajudar a nova república a apresentar seu caso ante a Liga, temendo que uma Áustria debilitada para sempre buscaria uma aliança com a Alemanha. 
Se alguém lhe houvesse visto se aplicar com paciência e discrição dia apos dia à sua tarefa, jamais suspeitaria o quão insuportável era a demorada burocracia e as superficiais funções sociais nas grandiosas e mal ventiladas salas de Hofburg. Até que em um ensolarado sábado de finais de março, respondendo à chamada de seu jovem secretário David Tremayne, Guy abandonou a cidade, dispensou o seu chofer e com o seu carro rumou para a fortaleza conhecida pelo nome de Pfaffenstein. Era o castelo mais famoso da Áustria, a encarnação, durante quase um milênio, do poder defensivo e do ataque, de sua grandeza e seu orgulho. Só a sua localização já era de tirar o fôlego. Ficava à beira de um lago verde-escuro, cujas águas glaciais eram de gelar o sangue, até mesmo em pleno verão, estava erguido em uma subida rochosa que parecia alcançar o céu, os pinheiros rodeavam a sua base. 
A este, um despenhadeiro dividia a parte de cima da de baixo por uma falha vertical na rocha em direção à planície húngara. Ao norte se apreciavam as ladeiras arborizadas e os picos serrados dos montes Pfaffenstein. A oeste, a descida era mais suave, era coberta de vinhedos e árvores frutíferas que se fundiam na distância com as montanhas nevadas dos Alpes. 
Na parte de cima daquele gigantesco penhasco, último bastião do sopé do Pfaffenburg, os francos haviam construído uma fortaleza na época de Carlo Magno, embora não tenham sido os primeiros. 









Trad.Paraíso da Leitura

Marlene

A famosa soprano Micaela Urtiaga Four, conhecida na Europa como A Divina Four, decidiu voltar a Buenos Aires, sua cidade natal, depois de anos de ausência.

No entanto,a tranquilidade que ela desejava encontrar entre seus entes queridos se transforma em um turbilhão quando sua vida fica, de repente, ligada à de Carlo Varzi, um cafetão do bairro de La Boca, um homem temível e sem escrúpulos com um passado tão escuro quanto seu presente. E embora Micaela tente superar a atração que o homem exerce sobre ela, ela finalmente cederá ao impulso que a domina. Remorso e medo, desejo e paixão; o conflito será inevitável.
Este romance, situado na Buenos Aires que deu origem ao tango, retrata a história de uma mulher lutando para superar seus medos e defender seu amor, e de um homem tentando se redimir no contexto mais humilhante, também para o amor.

Capítulo Um

Buenos Aires, maio de 1899.
Esse sábado, as crianças Urtiaga Four tinham desejado ver sua mãe todo o dia. Gastón María fez manha e não houve forma de que tomasse o leite nem o azeite de fígado de bacalhau. Micaela, mais submissa, encerrou-se em seu quarto e não voltou a sair.
Eram pequenos e não entendiam por que sua mãe sempre estava de cama, indisposta, o criado-mudo abarrotado de frascos escuros, os médicos que iam e vinham, o rosto desolado de seu pai, e agora, a novidade das enxaquecas que não a deixavam viver.
Já era quase sete da tarde. A mama Cheia pensou que era uma hora prudente para que Micaela e Gastón María visitassem a patroa, e assim os fez saber. Os meninos correram em direção ao quarto de sua mãe. A negra Cheia, não tão jovem e excedida em peso, seguia-os com dificuldade.
—Meninos, parecem desordeiros! Por amor de Deus! Não entrem assim no quarto de sua mãe que lhe parte a cabeça!
Ao chegar ao quarto da patroa Isabel, Cheia encontrou a porta entreaberta; os meninos já tinham entrado. Olhou e não viu ninguém. Encaminhou-se à penteadeira e, ao transpor a porta, o quadro com o que topou deixou-a estupefata: a senhora Isabel, inconsciente dentro da tina, com os pulsos cortados e os meninos contemplando-a em silêncio.
Seu próprio grito a tirou do transe, a ela e ao pequeno Gastón María, que deu um uivo, soltou-se da mão de sua irmã e saiu correndo. Micaela, inalterável, olhava a sua mãe. A água sanguinolenta jorrava e quase lhe tocava a ponta dos sapatinhos.
Os olhos da menina alternavam entre o rosto pálido de Isabel e uma navalha no piso. Absorta, não escutava os gritos de Cheia, nem se dava conta de que Gastón María já não lhe sustentava a mão, nem de que os serventes se amontoavam na entrada. Aproximou-se da tina decidida a despertar sua mãe.
—Não, Micaela! A menina sentiu um puxão, alguém que a afastava. Esperneou, gritou e sacudiu os braços como louca. Cheia pegou-a pela cintura e a afastou dali. Micaela não recordava de sua mãe a não ser na cama, com o rosto doentio e o gesto melancólico.
Isabel, a formosa atriz cheia de vida, pertencia a uma lenda que lhe fascinava escutar. Tinham-lhe contado que, sobre o palco, sua mãe provocava angústia com seu pranto, risadas desenfreadas com suas piadas, suspiros com sua beleza. Depois de vê-la, as pessoas não saíam iguais do teatro, pois Isabel chegava às fibras mais sensíveis delas. Seu público a amava.
O jovem Rafael Urtiaga Four a conheceu no auge de sua carreira, quando o Teatro Politeama vibrava a cada noite com suas apresentações. Rafael teve sorte com ela; um dândi da sociedade portenha como ele, com relações e vínculos por toda parte, sempre conseguia o que desejava. E a desejava, e muito. Um amigo os apresentou uma noite depois do teatro.
 Isabel o apanhou em seu furacão e o enfeitiçou com sua formosura. Rafael a amou desde o primeiro dia. Ela também se entregou, com o mesmo ardor com que fazia tudo; não, com maior paixão ainda: estava louca por ele. Casaram-se em pouco tempo e nenhum dos Urtiaga Four deu seu consentimento; as bodas foram um escândalo familiar. "Uma atriz!"








Trad.Paraíso da Leitura

14 de agosto de 2017

Através da Fumaça

Uma traição chocante…

Ricos. Poderosos. Uma antiga linhagem de orgulho. O Conde de Druridge queria apenas um herdeiro. 
Então quando soube que sua esposa estava carregando a criança de outro homem, ele foi preenchido pela sede da vingança. Mas não foi ele quem causou a morte de Katherine. Ou foi? 
Para seu horror, ele não se lembra de nada daquela noite horrorosa, quando seu ultimo confronto terminou em chamas ardentes e sangue frio.
Um amor proibido…Rachel McTavish, a bela filha de um mineiro, sabia alguma coisa sobre o incêndio que tomou a vida de Lady Katherine. Em segredo, a garota teimosa fez uma barganha com o conde desesperado: ele deveria mandar um médico para ajudar a sua mãe moribunda ou ele poderia ir para o diabo ― e para o patíbulo. Ele concordou, mas ela ainda está insegura se a sua revelação será o suficiente para salvá-lo quando tantos queriam-no morto. Apaixonadamente atraída pelo nobre, apesar de toda a dúvida e mistério que o rodeiam, Rachel imagina se ele realmente pode ser um assassino. Ou se ele será o único homem que alguma vez terá o seu coração.

Capítulo Um

Creswell, Inglaterra , Fevereiro de 1840
Algo coçava. Rachel McTavish se contorceu, tentando alcançar o lugar bem debaixo do seu seio esquerdo que coçava sem misericórdia, mas as camadas de chemise, espartilho e vestido de lã anulavam os esforços dos seus dedos.
Empoleirada em uma escada que estava apoiada nas prateleiras da livraria da sua mãe, ela olhou em volta da loja vazia e através da janela da frente. Ainda era cedo. Nenhum carrinho ou carruagem barulhento passava.
Mergulhando uma mão na gola do vestido, ela fechou os olhos e coçou… Ahhh… que abençoado alívio!
O sino tocou sobre a porta. Os olhos de Rachel se abriram para encontrar um homem parado bem na entrada, olhando para ela com um sorriso divertido nos lábios. Só que não era qualquer homem, era o Conde de Druridge. Embora Rachel nunca tivesse visto-o de tão perto, ela o teria reconhecido em qualquer lugar. Ela tinha temido que ele pudesse aparecer. Seu advogado já a tinha visitado três vezes.
Seu couro cabeludo formigou com apreensão e embaraço enquanto ela tirava a mão de dentro do corpete.
― Desculpe por interrompê-la, senhorita McTavish. ― Sua voz era de um barítono profundo; mais densa e rica que o mel. ― Posso ver que você está muito ocupada, mas eu acho que você sabe por que estou aqui.
Ignorando a provocação sutil, Rachel desceu da escada, meio que desejando poder ficar onde estava, bem longe do alcance dele. Ela se sentia como um passarinho imprudente abandonando a segurança da sua gaiola para voar por cima do nariz de um gato.
Mas ela sabia que a relativa segurança da escada era uma ilusão. O conde não era nada como seu advogado baixinho e de óculos, na aparência ou no comportamento, e podia não ser tão facilmente manipulado.
― Não tenho nada a dizer a você, sir. Eu já contei ao Sr. Lewis e a seu mordomo, Linley, antes e em mais de uma ocasião.
― É, você contou. ― Ele sorriu, mas nenhuma gentileza atingiu seus olhos cor de âmbar. ― Talvez eles não tenham mencionado que eu estou disposto a fazer com que sua cooperação valha o esforço.
Lorde Druridge tinha uma cabeça cheia de cabelos pretos e ondulados e era vários centímetros mais alto que a maioria dos homens. 
Uma vez no mesmo nível que ele, Rachel teve que inclinar a cabeça para cima para olhar o rosto dele, uma face dura e seca o bastante para lembrá-la de lobos famintos que se sabia que vagavam pelo campo. Embora ele provavelmente tenha acabado de se barbear, uma sombra de uma espessa barba escurecia a sua mandíbula. E ele estava usando luvas, mas ela tinha ouvido que as cicatrizes do incêndio em Blackmoor Hall há dois anos havia marcado a sua mão esquerda, se estendendo tão longe em suas mangas quanto alguém poderia ver.
― Seu homem mencionou uma bolsa funda, mas não estou interessada. Meu pai está morto. Eu não tenho nada a dizer a você.
― Seu pai pode estar morto, mas por muito pouco, eu não estou. ― O conde deu um passo em direção a ela, seu rosto perdendo toda a capa de civilidade. ― Eu não descansarei até saber o que aconteceu no dia do incêndio que matou a minha esposa e a criança que ela carregava
― O bebê de outro, pelo que se diz. 


A Dama de Companhia

Relançamento
Inglaterra, 1815

Salvo por um anjo apaixonado!
Seriamente ferido no campo de batalha, Kit Armstrong, conde de Hawthorne, voltou para casa para receber cuidados médicos. Mas como fazê-lo voltar à vida, se tudo que ele desejava era ter perecido no campo de batalha como tantos outros?
Chloe era apenas uma dama de companhia. Mas sua alegria quase juvenil, seu sorriso radiante mesmo diante das maiores adversidades e seu jeito amoroso fez com que os olhos de Kit Armstrong readquirissem o brilho então inexistente. Seria o amor o responsável por trazê-lo de volta à vida?

Capítulo Um

Christopher Armstrong, antigo membro da 20ª Cavalaria, permanecia em pé ao lado das janelas altas, e apreciava as cores brilhantes do outono de Yorkshire. Os bosques cerrados de carvalhos, faias e tílias vicejavam. Os gramados bem cuidados que se estendiam pela paisagem pitoresca. Era tudo dele. E aquilo não lhe dizia absolutamente nada.
— Hawthorne? — O som estridente da voz de sua avó quebrou o silêncio. Christopher estremeceu ao ouvir o nome que não lhe agradava.
— Meu nome é Kit — ele afirmou, sem se voltar.
— Isso é um absurdo! — a avó retrucou. — Agora, como conde de Hawthorne, não pode mais comportar-se como um simples plebeu rastejando atrás do comando de seu irmão! Além do mais, esta família é responsabilidade sua!
Kit não se moveu. Já ouvira aquilo várias vezes, desde que voltara para casa. Não se falava na sua carreira militar e nem na perda chocante de seu irmão. Nada. Era apenas a repetição constante de seus deveres. De certo modo, era como estar de volta ao Exército. Um corpo amorfo para ser usado em caso de necessidade.
Só que, nesse caso, em vez de entregar-se a seu país, tinha de sacrificar-se em favor da posição ilustre da família. Pelo menos, no entender de sua avó. Ele fora para a batalha com a mais honorável das intenções, mas não sentia nenhum entusiasmo pelos ornamentos duvidosos do poder político, da riqueza e dos privilégios. Nem tinha o menor interesse na continuação de uma pretensa dinastia que havia se reduzido a um ferido de guerra e uma velha ranzinza.
— O senhor me escutou? — ela gritou e bateu a bengala, para o caso de ele não ter ouvido.
Kit torceu os lábios, embalado por lembranças muito antigas. Houve tempo em que apenas o som daquele bastão atemorizava a ele e a seu irmão, nos dias longínquos e bucólicos da infância. Todos, até seu pai, se curvavam diante da famosa viúva que conservara o título do marido.
Mas, naquele momento, Kit via a avó como ela realmente era. Uma mulher envelhecida, zangada com o destino, e sem poder para mudá-Io. Ela acostumara-se a comandar a vida dos que estavam a seu redor e Kit a desapontara em todas as suas exigências. Ele se esforçara para conseguir sua patente em parte para contrariá-Ia. Mas acabara muito mais ferido do que ela.
Sua avó parecia ter sido feita de pedra. Kit nem mesmo saberia dizer se ela lamentava a perda de Garrett. Embora vestisse o luto necessário, ela não demonstrava tristeza. Ele não passava um segundo sem sofrer. Não somente por seu irmão, mas por todos os homens que serviram sob seu comando. Por todos os que haviam morrido no massacre sangrento de Waterloo. Por todos que haviam ido para a guerra, para nunca mais voltar.
E ali estava ele, não apenas vivo, mas supostamente próspero como o quinto conde de Hawthorne. Era mesmo uma ironia. Enquanto ele enfrentava batalhas e escapava da morte, Garrett, que permanecera em casa e em segurança, havia perdido a vida. Disseram que ele se cortara nos equipamentos agrícolas que sempre o fascinaram e morrera uma semana depois.
Era estúpido, sem sentido e insustentável. Kit nem se recordava de quantas vezes fora cortado por navalha e até mesmo por uma espada. Em Waterloo, fora atingido por um projétil e ficara esmagado debaixo de seu cavalo. O que lhe rendera costelas quebradas, numerosas contusões e uma perna proclamada imprestável. Ainda assim, Kit exigira que o engessassem. Com muito empenho e força de vontade, seu sofrimento deixara como consequência apenas uma leve claudicação.
Naquela altura, ele se perguntava de que lhe valera o esforço. Estava sendo medicado em Bruxelas, quando Garrett morrera. Embora a avó jurasse haver mandado um mensageiro, esse nunca o encontrara, por causa da grande confusão reinante depois de Waterloo.
Voltara para casa, para se recuperar, e a encontrara de luto. O funeral já terminara há muito tempo e sua avó estava determinada a fazê-lo substituir o irmão. Se ele não houvesse se alistado no Exército e enfrentado batalhas, poderia ser capaz de tomar o lugar de Garrett. Mas, então, não tinha estômago para suportar aquilo. Ele não se interessava por nada e nem queria ser um Hawthorne.
— O senhor precisa assumir o controle das propriedades!



12 de agosto de 2017

Uma Rosa na Tempestade

Quando a rivalidade se torna paixão...

Com a guerra em chamas na Escócia, o destino do legado dos Comyn-MacDougall depende de uma mulher.
Recentemente órfã, a jovem Margaret Comyn deve garantir a segurança de seu clã através de um casamento arranjado. Mas quando uma invasão inimiga a põe à mercê do notório Lobo de Lochaber fazendo com que toda a sua lealdade - e sua vontade secreta - seja desafiada.
E um reino está entre eles...Guerreiro lendário Alexander 'the Wolf' MacDonald cavalga com Robert Bruce para conquistar o trono da Escócia. Mas quando ele toma a prisioneira ardente Lady Margaret, ela rapidamente se torna muito mais do que uma valiosa refém, pois, a paixão entre eles ameaça trair suas famílias, seu país ... e seus corações.

Capítulo Um

Loch Fyne, as Highlands, 14 de fevereiro de 1306
— Há muito silêncio.
Margaret não ouviu a voz de Will. Ia a cavalo pelo bosque de Argyll, junto a seu irmão, à cabeça de uma coluna de cavaleiros, soldados e serventes. Olhava para frente.
O castelo surgia tão repentinamente de entre os escarpados e as colinas nevadas que, quando a gente saía do bosque, tal e como eles acabavam de fazer, podia confundi-lo com um penhasco negro. No entanto, era uma antiga fortaleza situada sobre um lago gelado. Na parte mais baixa do recinto, as muralhas eram grosas e sólidas,e na parte norte havia várias torres que se erguiam para o céu. A floresta ao redor do castelo e do lago estava cheia de neve, tal como as montanhas à noroeste.
Margaret respirou profundamente. Estava emocionada, e se sentia muito orgulhosa.
E pensou: Castle Fyne é meu.
Mary MacDougall, sua mãe, tinha nascido naquela fortaleza, e mais tarde a recebeu como dote por seu casamento. Castle Fyne era uma aquisição magnífica: estava nos limites mais ocidentais de Argyll, no caminho de saída do Solway Firth, rodeado por terras do clã Donald e do clã Ruari. Durante séculos, os homens tinham lutado por ele, mas nunca tinham sido capazes de tomá-lo da família MacDougall.
No entanto, não conseguia se livrar da ansiedade que sentia nas últimas semanas. Desde a morte de seu pai, ela estava sob a tutela de seu tio poderoso, John Comyn, conde de Buchan e recentemente ele tinha arranjado seu casamento com um cavaleiro Inglês famoso, Sir Guy de Valence.
― Este lugar está sob a mão de Deus. ― Disse Will, interrompendo seus pensamentos. ― Odeio. É demasiado silencioso. Nenhum pássaro.
Percebeu que seu irmão tinha razão, ela também se perguntou o porquê do silêncio, não se ouvia nem o barulho feito pelos esquilos nos arbustos ou veados ou raposas, não se ouvia nada. Não havia nenhum som, exceto o tilintar dos freios dos cavalos e um relincho.
Sua tensão aumentou.
― Por que está tudo tão quieto?
― Alguma coisa deve ter assustado os animais. ― Disse Will.
Eles se olharam. Seu irmão tinha dezoito anos, um a mais que ela, e era loiro como o pai, muito parecido com ele. No entanto, todo mundo dizia que ela era a cara de sua mãe, Mary: pequena, com cabelos loiros avermelhados e rosto oval.
― Devemos ir. ― Will disse bruscamente, levantando as rédeas. ― Apenas no caso de existir mais do que lobos nestas colinas.
Margaret olhou para a fortaleza. Faltava pouco tempo para que eles estivessem seguros dentro das muralhas. No entanto, antes de pressionar a égua para avançar, recordou o castelo na primavera, quando aos pés das paredes surgia um cobertor de flores azuis e roxas. Lembrou de ter saltado entre essas flores nas margens de um riacho, onde os cervos pastavam. Sorriu ao se lembrar da voz suave de sua mãe, que a chamava para que voltasse, e seu belo pai, entrando no quarto da torre seguido por seus quatro filhos e todo mundo animado falando ao mesmo tempo...








Série Escócia Medieval 
1- O Guerreiro e a Rosa
2- Uma Rosa na Tempestade
Trad.Paraíso da Leitura



7 de agosto de 2017

O Leão Negro

Série Saga Montgomery
Misteriosamente belo, imensamente rico, o audaz conquistador inglês, era conhecido como Leão Negro por sua ferocidade de leão. 

Ninguém podia competir com ele, até que enfrentou a Lyonene, uma beleza de olhos verdes cujo espírito fogoso igualava ao dele.
Lyonene suportou inumeráveis perigos para estar ao seu lado, até que um dia as mentiras maliciosas a conduziram para um grave perigo. Somente Leão Negro tinha a coragem para destruir a conspiração implacável que os tinha separado e que tinha ameaçado os laços de amor que tinham jurado não romper jamais. As chamas da paixão... Com um poderoso movimento, o homem rasgou o lençol que a cobria e, sem querer, emitiu um gemido ao vê-la, mais encantadora do que poderia imaginar. Lyonene viu sua expressão, e a fúria se converteu em medo, já que viu o rosto do Leão Negro, um rosto que tinha obrigado a homens robustos a se ajoelhar e se render. Não tinha acreditado que pudesse ter um olhar tão assustador, um olhar que agora se dirigia para ela. Instintivamente, tratou de se cobrir quando ele rasgou o lençol.

Capítulo Um


Lyonene ouviu os passos fortes de Lucy na escada de pedra e se aconchegou sob o grosso cobertor. Os ventos de janeiro assobiavam no exterior da velha torre e rajadas de vento gelado penetravam pelas venezianas de madeira, mas sua cama estava quente e tinha a intenção de ficar nela o máximo possível.
—Lady Lyonene. — Lucy abriu o cortinado da cama.
Lucy, agora, era uma mulher velha e estava muito gorda. Tinha cuidado de Lyonene desde que nasceu e gostava dela como a uma mãe.
— Sua mãe quer que vista a túnica dourada, a capa e o manto verde.
Lyonene, que tinha virado para a luz com certa má vontade, olhava agora Lucy com interesse.
— O manto e a capa verde?
— Chegou um convidado, um convidado muito importante, e têm que vestir os seus melhores trajes para realizar a apresentação.
Lyonene afastou a roupa de cama e colocou um pé no chão de carvalho. As venezianas estavam muito bem fechadas devido ao frio invernal e a única luz provinha da pequena lareira e da vela de sebo situada no alto candelabro junto à cama. O suave brilho destacava todas as curvas de seu jovem e esbelto corpo. Lucy ajudou sua senhora a colocar a anágua de linho e a justa túnica de lã que ressaltava seu esbelto corpo de mulher. A capa, aberta nos lados, não cobria nada.
— Conhece o convidado? Trata-se de um amigo de meu pai?
—Não, senhora. — Lucy rodeou o cinto de couro ao redor da estreita cintura de Lyonene. — É um conde, um homem jovem que seu pai ainda não tinha conhecido.
Lyonene se deteve e olhou fixamente sua criada.
— É bonito? É um conde jovem e bonito, tem o cabelo claro e monta um garanhão branco? — Brincou Lyonene.
— Isso você verá no seu devido tempo. Agora, pegue o pente para que possa desembaraçar o seu cabelo.
Lyonene obedeceu enquanto insistia:
— Me conte algo mais sobre ele. De que cor tem os olhos? E seu cabelo?
— Negro muito negro. Tão negro como os olhos do diabo.
As duas mulheres levantaram a vista quando Gressy e Meg entraram no pequeno quarto carregando lençóis de linho limpos. Falou Gressy, a mais velha das duas:
—O conde chegou. Não é qualquer conde do rei, trata-se do grande Leão Negro em pessoa.
— É verdade que é negro. — Acrescentou Meg.
— Tem os olhos e os cabelos negros como satã. Inclusive seu cavalo é completamente negro. — Remarcou Gressy.
Lyonene olhou para elas com uma expressão de horror. Tinha ouvido todo tipo de histórias sobre o Leão Negro desde que era uma menina, histórias de força e coragem. Mas cada uma delas sempre estava pintada de um toque de maldade; acaso sua força provinha de algum poder maligno.
— Estão seguras de que se trata do Leão Negro e não de outro? — perguntou em voz baixa.
— Nenhum outro homem poderia ter um olhar como o seu. Juro que me deu um arrepio só de ficar perto dele. — Gressy olhou para sua senhora intensamente.
Lucy deu um passo adiante e exclamou:
— Basta de dizerem tolices!




Série Saga Montgomery
1- O Leão Negro 
2- A Donzela
3- A Herdeira

5 de agosto de 2017

No Castelo de Pendragon

Série Família Sherbrook
Quando seu primo Jeremy Stanton-Greville, a quem Meggie adora em silêncio desde os treze anos, lhe quebra o coração, ela embarca em um matrimônio apressado com Thomas Malcombe, o conde de Lancaster, um homem desiludido pelas más experiências com as mulheres no passado. 

Thomas leva a sua mulher a Pendragon, um velho castelo na costa sul oriental da Irlanda. 
É um lugar lúgubre, repleto de gente excêntrica, mas Meggie, que se esforça por conquistar o seu marido, a contra gosto dele, até que descobre que ela está ali por razões que poderiam conduzir a um desastre. 

Capítulo Um

Corridas de gatos. Circuito McCaulty, próximo de Eastbourne, Inglaterra. Uma tarde de sábado ensolarado, abril de 1823 – Senhor Raleigh tire o Pequeno Tom do caminho do Senhor Cork! Por todos os diabos, ele está atrapalhando–o! Alguém tirou do caminho o Pequeno Tom justo a tempo, dois segundos mais tarde e o Senhor Cork o haveria feito em picadinho. 
Pequeno Tom era a grande esperança do senhor Raleigh, mas ainda não estava pronto para a competição dessa categoria. Pequeno Tom, negro como um parente do diabo e de diminutas patas brancas, não tinha mais que um ano, ainda não era um adulto nem estava bem treinado. 
Sem dúvida, quando os corredores já haviam saído disparados e haviam passado a velocidade de um raio, o senhor Raleigh voltou a colocar Pequeno Tom na pista, lhe deu uma palmada nos traseiros e lhe falou algo no ouvido. 
Esse murmúrio, sem dúvida, era a promessa de uma ração com pedaços de fígado de frango.
Ao imaginar o saboroso que seria esse manjar até chegar a seu estômago, Pequeno Tom saiu propulsado para diante. Meggie Sherbrooke estudou os corredores, e com as mãos a modo de corneta voltou a gritar: 
– Por todos os diabos, Senhor Cork, corra! 
Não deixe que lhe alcance Mascarado II! Pode fazê–lo, corra! O reverendo Tysen Sherbrooke costumava passar por alto os momentos ocasionais em que sua filha recorria à blasfêmia predileta dos Sherbrooke, posto que era bastante apropriada para a corrida. Ele também gritou:
– Corra, Senhor Cork, corra! Cleópatra, pode fazê–lo, vamos, bonita, vamos! 
O Senhor Cork, que fazia seis meses havia entrado na idade adulta, era um corpulento felino tigrado, de riscas alaranjadas no lombo e na cabeça, e com o ventre e as patas brancos como a neve, era tão forte como Clancy, o macho campeão do senhor Harbor. 
Senhor Cork corria atraído unicamente pelo aroma de uma truta; de uns três quilos de peso e sempre morta, graças a Deus. O peixe estava temperado com umas gotas de limão acabado de espremer e pendia da mão de Max Sherbrooke, situado na linha de meta. 
O garoto a fazia oscilar a modo de metrônomo e assim mantinha a atenção do Senhor Cork no peixe. Certamente, quando não se encontrava no período de treinamento, o bichano passava muitas manhãs parado junto à mesa da sala de jantar e deixava pairar acima uma coberta de riscas alaranjadas, agitando–a com um balanço preguiçoso. 
Com ele anunciava que estava pronto para que lhe servissem um delicioso lanche de bacon crocante, ou quem sabe uma tigela de leite, ou ambas as coisas, no caso de que seu benfeitor se sentisse generoso.









Série Família Sherbrook
1- A Noiva Trocada
2- A Noiva Endiabrada
3- A Herdeira
4- Louco Jack
5- O Cortejo
6- A Noiva Escocesa
7- No Castelo de Pendragon
8- The Sherbrooke Twins - a revisar
Paraíso da Leitura

29 de julho de 2017

Lady Gallant


Uma Sedutora inocente.

As senhoras do palácio chamavam Nora Becket de "rato". Mas sob as suas maneiras tímidas e sem arte escondia o coração de uma leoa. 
Uma espiã ousada na corte da rainha Maria, ela arrisca sua vida para resgatar um inocente de um destino terrível. No entanto, era Nora que precisava ser resgatada quando os assassinos a atacaram ― quando Christian de Rivers, um espadachim canalha, a arrastou para fora do perigo... e para seus braços.
Um aventureiro corajoso - Magnífico e hipnotizante como um falcão, Christian tanto assusta como excita Nora, mesmo que a persiga com uma paixão que a deixou ansiando ser pega. No entanto, logo descobriria que tinha razão para estar assustada. Pois o atrevido nobre tinha seus próprios segredos para manter, seus próprios inimigos para derrotar ― e sua própria marca de vingança para uma beleza de olhos arregalados a quem ele amava demasiado...

Capítulo Um

Hatfield House, Inglaterra, 1558
As freiras já não andavam com medo por suas vidas como no tempo do velho rei Henrique, e uma delas desviou sua rota em direção ao convento da Mansão Real de Hatfield. Sua trêmula e enluvada mão fechou a porta da capela Hatfield. A freira enfiou a mão para dentro da manga de seu hábito e se virou para o corredor central. Curvado pela idade, disforme por um ombro torto, a velha olhou de soslaio para o único habitante da capela.
Na grade em frente ao altar ajoelhou-se uma jovem mulher vestida em cetim com um capuz preto francês colocado sobre uma cascata de cabelo vermelho-dourado. A freira andou mancando pelo corredor e se ajoelhou ao lado da senhora, cruzou as mãos enluvadas, colocando uma cruz entre elas, e as apoiou na grade. A mulher de cabelos vermelhos manteve o olhar na cruz diante dela. A freira curvou a cabeça em oração e palavras em latim tomaram a capela. A freira espirrou e soltou sua cruz. Seus dedos trêmulos se desenrolaram como se a procurá-la.
Em um movimento rápido, a jovem levou sua mão branca sobre a mão da freira. Dedos longos e afilados agarraram a mão da velha, pegou a luva e a tirou. Despojado de sua cobertura, a mão da freira ficou sob a da mulher. Era maior do que aquela que a aprisionava. Pele suave, dourada e esticada sobre os ossos longos com um anel de sinete de ouro no terceiro dedo.
A freira espirrou novamente, e a jovem riu baixinho.
― Bem feito, Lorde Montfort. Deus castiga por este seu disfarce dando-lhe uma febre.
A freira se endireitou. O ombro torto se endireitou, e o corpo parecia crescer e esticar. Christian de Rivers, Senhor Montfort, filho do Conde de Vasterne, esfregou o nariz coçando-o e olhou para a mulher em torno da borda de seu véu negro.
― Vossa Alteza ― disse ele. Ele baixou a cabeça, então espirrou novamente ― este hábito cheira a mofo.
Princesa Isabel sorriu para ele antes de virar o olhar para o altar.
― Quais são as notícias de minha irmã?
― A rainha está às vezes louca e todo o tempo prestes a morrer.
A princesa respirou, mas ela não disse nada.
Christian estudou a grade do altar. ― Ela desistiu da fantasia de que estava grávida e agora acredita que o inchaço é um edema. Mas ela jura, Sua Graça, que você nunca será rainha, que você é…











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Amor e Ambição

Com sua beleza, inteligência e desenvoltura não é de se estranhar que a sociedade irlandesa acredite que Elizabeth Gunning uma humilde aspirante a atriz seja de origem nobre. 

Sua mãe espera de Elizabeth, que cative a todos em Londres e celebre um espetacular casamento, embora ela já tenha encontrado o amor de sua vida, John Campbell, o duque de Argyll.
John ama a garota de cabelos de ouro, mas sabe que não pode convertê-la em sua esposa porque ela não pertence à nobreza. A implacável ambição de sua mãe obriga Elizabeth a se casar com o duque de Hamilton, que só revela sua crueldade depois do casamento. 
Elizabeth consegue superar a possessividade e os maus tratos de Hamilton graças a sua fortaleza interior e ao amor incondicional que sente por Campbell. A paixão que cresce entre ambos começará a consumi-los… Se Hamilton chegar a descobri-la, suas vidas correm perigo.

Capítulo Um

Condado de Roscommon, Irlanda, 1751
Um esplendoroso raio de sol momentaneamente refletido na água o cegou; em seguida, em um abrir e fechar de olhos, uma radiante aparição surgiu ante ele. ― É real ou um espírito do bosque? Perguntou-se.
A moça era esbelta e delicada, havia nela algo etéreo. Enquanto olhava o sol formou uma auréola gloriosa em torno da sua cabeça, e sua reluzente cabeleira, que caia em uma cascata de cachos além da cintura, adquiriu a cor de ouro puro. 
Em meio da erva crescida na ribeira, libélulas e outros insetos diminutos de asas transparentes agitavam-se ao seu redor, como partículas de pó elevando-se das plantas silvestres. Teve a nítida impressão de que se fizesse algum movimento, ou falasse, romperia o feitiço e ela se esfumaçaria, como que por mágica.
John Campbell, incapaz de outra coisa, não pode deixar de citar uma frase de Um Sonho de Uma Noite de Verão.
― Nós veremos a luz da lua. Gloriosa Titânia! A Rainha das fadas virou a cabeça para lhe olhar.
― O quê, ciumento Oberon? Elevou uma mão displicente até as libélulas. ― Fadas, escapem daqui. Em seguida levantou o queixo e olhou para longe dos olhos dele, desdenhosa, ― Jurei abandonar o teu leito e a tua companhia. O homem alto e magro deu um passo até ela e declamou a frase de Oberon:
― Espera, temerária imprudente! Não sou eu acaso o teu senhor? Titânia sorriu e lhe fez uma reverência.
― Então, eu hei de ser a sua senhora.
Ele percorreu a distância que os separava com duas passadas, e rindo, tomou suas mãos entre as suas.
― Que demônios faz um formosa senhorita inglesa sozinha no meio da campina irlandesa?
Ele era moreno e perigoso, mas nesse momento o olhar dela se pousou sobre a vara de pescar e a cesta que, de maneira descuidada, pendurava de seus ombros.
― Vivo aqui ― disse ― Vim ao Suck pescar salmões, igual a vós, senhor. Acompanhe-me, e os ensinarei um bom lugar. Segui-a fascinado até um lugar em que os salgueiros se inclinavam tanto sobre a beira do rio que submergiam seus ramos chorosos na água. Ali se sentou a seu lado e lançou a vara. A encantadora criatura era um mistério que não conseguia entender. Apesar de ir descalça e levar um vestido gasto e folgado que de maneira vergonhosa deixava ver seus tornozelos, se expressava em inglês culto sem dúvida.
― Não tens sotaque irlandês.
Fingindo uma confiança que estava longe de sentir, a jovem cruzou as pernas, inclinou a cabeça e começou uma cantiga: Na bonita cidade de Dublin, onde as garotas são tão bonitas, comecei a pôr os olhos na doce Molly Mallone, que pelas ruas largas e estreitas empurrava seu carrinho de mão ao mesmo tempo exclamava em voz alta:
“Berbigões e mexilhões vivinhos e balançando!”
Seu sotaque irlandês era rico e genuíno; seu canto, doce e melodioso. Trocou do sotaque irlandês ao escocês em um instante, quando lhe disse:
― Noto uma leve diferença em seu falar, rapaz. Parece-me que você passou algum tempo na Escócia.
Não sabia ela até que ponto era certa essa sua observação. Havia passado tanto tempo na Escócia!
Quando havia estalado a rebelião dos jacobinos para remover o rei, seu pai detinha o comando de todas as guarnições do oeste da Escócia. E ele havia lutado junto ao seu pai e o filho do rei, o duque de Cumberland, em Invernary, depois em Peth, e por último na terrível batalha de Culliden, onde a rebelião foi definitivamente vencida.
John afastou os seus pensamentos da guerra e lhe sorriu.
― Minha mãe é escocesa.
Então ela se, pois a contar uma piada sobre escoceses e o que levavam debaixo do kilt. O tema foi subindo de tom, e John sentiu um repentino desejo de tomar em seus braços aquela boca deliciosa pra fincar-lhe o dente. Ela sorriu. Seus cílios dourados baixaram até roçar-lhe as bochechas e logo se levantaram para descobrir o impacto de seus olhos violetas.
― Estudei para subir aos palcos. (Quando se colocava em um papel e atuava era capaz de ocultar sua profunda timidez). ― Vou ser atriz! ― Exclamou, dando-se importância.
John Campbell suspirou de alivio. Bendito fosse São Patrício, não se encontrava diante de uma dama, se não de uma atriz, o que a convertia em presa de caça e sedução.
― Quantos anos têm?
― Dezesseis quase dezessete… ― Já sou mocinha. Assegurou-lhe. ― Quantos anos vos têm senhor?
Ante aquela inapropriada pergunta, formulada com toda naturalidade, o homem, divertido, levantou as comissuras dos lábios.
― Tenho vinte e oito anos e todos os meus dentes.
― Tens nome, senhor? A fina senhorita inglesa havia voltado.
― Me chamo John ― não lhe disse o sobrenome ― e como já haveis adivinhado, estou na Irlanda para pescar… e caçar.
 










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28 de julho de 2017

O Honrado Marksley

Richard Marksley, em casa vindo da guerra Peninsular, está acostumado a corrigir os erros e excessos de seu parente aristocrático. 

Mas desta vez o seu dissoluto primo Reginald, o Visconde Langsford, foi muito longe. 
Se passando por Richard, Reggie comprometeu a reputação de uma jovem dama e deixou para Richard acertar a situação. 
Richard preferiria muito mais ir atrás de poetas para a sua publicação, O Tantalus. 
Mas seu senso de responsabilidade e honra familiar torna impossível para ele virar as costas para a situação, e ele está determinado a encontrar uma solução rápida que será casar com a garota. 
Hallie Ashton tem pouca escolha. Seu tio está convencido de que ela teve um comportamento imoral com Richard, não com Reggie. Com a família pressionando por um casamento, a sociedade ameaçando roubar o seu futuro e selar o seu destino.  Se ela pessoalmente pudesse explicar a situação para Marksley, ela poderia ter nele um útil aliado. Mas isso requereria revelar o segredo guardado em seu coração. 

Capítulo Um

Nem o Conde de Penham nem seu filho Reginald, o Visconde Langsford, nunca mostraram o menor interesse na fonte de riqueza da família, embora fossem obrigados a mantê-la para a próxima geração. Richard Marksley dirigia seu cavalo para um descanso enquanto inspecionava com orgulho as extensas pastagens atrás de Penham Hall. 
Orgulho era tudo que ele queria pelo seu trabalho duro, pois Penham não era, e nunca seria seu. O privilégio de possessão pertencia unicamente a seu tio e a seu reprovável primo. Mas Richard tem sido por muitos anos o responsável por manter e cuidar de Penham, o estado da propriedade mostrava o seu cuidado. 
— Deve estar satisfeito, senhor, — Disse Appleby. O administrador puxou seu próprio cavalo ficando ao lado de Apollo o cavalo de Richard. — O antigo lugar parece muito melhor do que o senhor tinha esperado. — Realmente, — disse Richard. — Particularmente nesta manhã de setembro,com essa luz forte sobre a grama coberta de orvalho, Penham parece pacífica e próspera. É difícil de acreditar que Reginald preferiu ir a um lugar longe neste verão.
 — Eu duvido que o Visconde faria isso intencionalmente, senhor. Richard sorriu-lhe. — Você é extremamente gentil, Appleby. Por isso e por seu bom senso, eu serei sempre grato. 
— Eu agradeço, senhor. — Nós faremos bem o suficiente este ano. — Richard observou ao olhar para trás para a mansão, — mas o futuro precisa ser construído. Penham precisa crescer se ela quiser sobreviver. Não pode apenas ser preservada. — Ante a perspectiva de Reginald vir a ser um conde, Richard sentiu um súbito frio. Ele havia saído cedo e cavalgado arduamente. Agora direcionou Apollo para casa. 
— Este passeio foi muito útil, Appleby. Nós nos encontraremos novamente no Ludlow’s, na próxima quinta? — Quando o administrador assentiu, Richard instou Apollo a um leve trote de volta para Archers, o pequeno, mas confortável solar que ele herdara dez anos atrás, antes de seus vinte anos. 
Novamente agradeceu o fato de que a propriedade dividia somente um dos lados com Penham. Pela estrada a distancia era de mais ou menos quatro quilômetros. Através dos campos e cercas era quase um quilômetro. Era bom estar afastado da família, particularmente num momento como esse, quando sua paciência estava em baixa. 
Mal notou as magníficas faias delineadas contra as paredes do Archers. Ele caminhou diretamente do estábulo para a biblioteca, determinado a escrever algumas instruções adicionais a Appleby. O administrador, ele pensou, era um homem competente e genial cujo único defeito era ter uma memória que perdoava tudo. Ele continuamente subestimava as extravagâncias do Visconde Langsford. Não fazia muito tempo que Richard cometera o mesmo erro.









Trad.Paraíso da Leitura

26 de julho de 2017

Emaranhados

Um homem de seu passado a assombrava… 

Com seus lindos olhos brilhando de ódio, Rebecca encarou Lorde David Tavistock. 
Ele havia voltado ferido, mas vibrante e sensualmente vivo da Guerra da Crimeia. Mas Julian Cardwell, seu marido doce e gentil e irmão adotivo de David, não. 
Ela acusou David, selvagem e imprudentemente, da decisão de Julian de entrar nos Guardas da Rainha, e da perda devastadora de seu marido jovem e perfeito, cuja memória mesmo agora ainda dilacerava seu coração e enchia seus sonhos. Ele prometeu-lhe um futuro… Com seus olhos azuis obscurecidos por segredos escuros, David tinha vindo para reivindicar a mulher que sempre amou. 
Durante toda a sua vida ele tinha protegido o encantador Julian, escondendo a verdade de Rebecca sobre as mulheres com quem Julian se relacionava, a criança que ele tinha gerado, e a maneira escandalosa pela qual ele morreu. 
Agora, David ofereceu a Rebeca uma vida de privilégio e riqueza como sua esposa. Ela queria um casamento de conveniência, mas ele pretendia despertar suas paixões mais profundas, para fazê-la esquecer de Julian Cardwell, e encontrar em sua cama todo o
êxtase do verdadeiro amor de um homem.

Capítulo Um

Inglaterra, fevereiro, 1854
Ela não iria para o cais. Já tinha dito isso a Julian. Muitas mulheres iam ficar com seus homens até ao amargo fim, é claro. Ela os observava agora, da janela do quarto do hotel, calma, ali de pé, as costas retas, de modo que qualquer um que a observasse teria pensado que não sentia nenhuma emoção, que a cena além da janela não tinha nada a ver com ela.
Os Guardas do Terceiro Batalhão dos Granadeiros estavam marchando rapidamente ao longo das ruas de Southampton, fazendo um espetáculo espetacular com seus uniformes de casaca vermelha e grandes capacetes de pele de urso preto.
Os curiosos e os patriotas alinhavam-se pelas ruas, aplaudindo-os, gritando encorajamentos, acenando lenços. E as mulheres estavam ali — esposas, namoradas e amantes — movendo-se ao longo das calçadas ao lado das tropas marchando, a maioria delas olhando com anseio para um homem em particular, olhares infelizes, pois logo estariam dizendo adeus a seus homens.
Talvez para sempre. Era fevereiro de 1854. Talvez muitos dos homens que marchavam tão rapidamente ao longo da rua nunca vissem o fim do ano. Eles deveriam navegar apenas até Malta, como medida de precaução, afirmou o governo. Era muito improvável que houvesse guerra.
O czar da Rússia seria tolo se não recuasse quando foi ameaçado com o poder da Inglaterra e da França. Mas o czar continuou a fazer sentir a sua presença no Mar Negro e no Mediterrâneo. Ele continuou a tentar tirar proveito do desmoronamento do Império Turco.
Os britânicos não estavam envolvidos em nenhuma grande guerra desde a Batalha de Waterloo, quase quarenta anos antes. Mas as rotas de comércio terrestre britânicas com a Índia e o Oriente estavam sendo ameaçadas, e os britânicos clamavam por uma briga.
No entanto, o governo afirmou que não haveria guerra. Eles estavam enviando tropas para Malta apenas como uma medida de precaução. Rebecca, Lady Cardwell, dizia a si mesma enquanto olhava para a rua, que esperava que Julian voltasse para o seu quarto para dizer adeus. Ela não iria para o cais. Talvez seu controle a abandonasse em público. Não era para ser contemplado. Quase nem sequer tinha vindo de Londres.









Trad.Paraíso da Leitura

24 de julho de 2017

A Bela e o Caçador de Recompensas

Série Era uma vez no Oeste
Amor e vingança vêm ambos com um preço.

Cathleen Chase não é assassina ― mas como Cat O'Banyon, ela é uma rude caçadora de recompensas que sempre pega seu homem. Capturando foras da lei um após o outro, ela continua sua procura pelo único homem que quer realmente localizar. Aquele ao qual a voz ela nunca esquecerá; o homem que matou seu marido. 
Nada vai pará-la na procura por ele. O trapaceiro Alexi Romanov ensinou Cat todos os truques que ela sabe. Ele é o mestre da enganação, disfarce e desejo. Difícil de confiar, e ainda mais difícil de resistir, mas tem notícias que ela não pode ignorar. 
homem que ela procura colocou uma recompensa por sua cabeça. Para pegá-lo antes que ele a pegue, terá que trabalhar junto com Alexi novamente... E como antes, os dois juntos não são nada além de problema.

Capítulo Um

Abilene, Kansas, 1870
Um novo cliente passeou pela porta da frente do Letty‟s Sporting House. Baixo, moreno e musculoso, ele carregava uma severa cicatriz em volta do seu pescoço. Mesmo assim, quase todas as mulheres no lugar endireitaram-se, embelezando-se por sua atenção. Cathleen Chase não desperdiçou tempo. Deu um passo à frente. Este era seu homem. Uma mão segurou em seu braço.
― Sissy!
Cat lutou para não encolher com o nome tolo que ela adotou. O que foi que ela estava pensando?
― Nós não os escolhemos. ― A vadia estreitou seu aperto, suas unhas compridas pressionando bruscamente na pele de Cat. ― Eles nos escolhem.
Cat levantou seu olhar da mão em seu pulso para o rosto que uma vez já foi bonito. Como sempre acontecia quando Cat deixava as pessoas verem o que tinha por baixo, a garota deu um passo para trás, enrolando seus braços nus em baixo de seus seios envoltos em cetim como se sentisse frio. Desde que ela estava revelando mais pele do que cobria ― inferno, Cat também estava ― isto poderia ser verdade. Encolhendo, a jovem olhou longe.
― Um deles é o mesmo que o próximo a mim.
― Não para mim. ― Cat murmurou. Sua saia enrugou bem abaixo de seus joelhos quando ela caminhou em direção a sua presa. Cat escolheu um vestido vermelho para combinar com seu longo cabelo escuro e olhos verdes. Sua pele era pálida como a de qualquer mulher irlandesa, sendo poupada do cabelo vermelho e as sardas que tantos de seus parentes tinham. Cat parecia-se com sua mãe ― Deus descanse sua alma e a alma de todos que ela um dia amou.
O decote estava perigosamente baixo. Cat tinha alterado o corpete para que seus seios praticamente pulassem para fora com cada respiração. Enquanto andava em volta do quarto, ela secretamente puxava a roupa para baixo para que, quando ela se aproximasse do homem, seu olhar fosse direto para seu peito e ficasse lá.
― Quanto? ― Ele resmungou.
― Cinco dólares. ― Era caro mesmo para uma mulher branca, mas não exorbitante. Mesmo assim, ele hesitou e Cat levantou um dedo, traçando-o de um lado para o outro por sua pele.
Os olhos dele seguiram o movimento como um pêndulo em um relógio; então ele agarrou sua mão e arrastou-a para cima pela escada de carvalho crepitante sem sequer olhar uma vez para o rosto de Cat.
Algumas vezes ela era tão boa nisso que se assustava ― Qual quarto? ― A voz áspera, sua respiração saia em curtos ofegos.
Cat esticou-se além dele, tendo certeza de esfregar seus seios contra seu braço enquanto abria a porta para seu quarto. Coberto em sombras, ela o deixou dessa forma. Por que se importar em acender uma lanterna? Quanto menos ele via ― menos ela via ― melhor.
Ela não tinha dado dois passos para dentro quando o homem fechou a porta com um chute e a puxou para encará-lo. Percorrendo por uma linha reta por entre seus seios, seus dedos pressionando a suave pele enquanto ele abaixava sua cabeça e erguia a dela para sua boca. Cat observou o papel de parede floral que descascava e o deixou ter um pouco de diversão. O tempo dela logo chegaria.
Quando ele começou a subir a saia com uma mão, alcançando seu cinto com a outra, Cat murmurou.
― Calma aí, soldado.
  








Série Era uma vez no Oeste
1- A Bela e o Caçador de Recompensas
Veja vídeo do lançamento





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