13 de abril de 2018

Tempo de Lobos

Série Crônicas do Tempo
Um lobo solitário em busca de algo que dê sentido à sua vida.

Uma mulher que não pode, nem quer esquecer. Obrigada a casar-se com o homem que mais odeia e do qual jurou vingar-se, Munia vê como se desvanece toda a sua ira quando Hernán, mais conhecido como Lobo Cinzento, decide que ela será para ele mais do que um simples objeto de desejo. A sua ternura, a sua perseverança, até mesmo a sua honra, serão postas aos pés de sua esposa, assim que ela concordeem olhá-lo com outros olhos. Munia e Hernán deverão lutar por seu futuro enquadrados em uma guerra que não cessa, de traições daqueles que o Lobo Cinzento jurou proteger, de ambições disfarçadas de lealdades e de um passado que volta para envenenar o seu presente. Este amor acabará por triunfar, apesar de todos os obstáculos que terá de superar?

Capítulo Um

Fevereiro de 921
Desate-o e o jogue ao rio. Depois… Hernán não conseguiu escutar o resto das ordens. A sua mente se negava a aceitar mais sofrimento do que o seu corpo albergava. A pele era uma autêntica pira por cujos poros exalava puro fogo. A carne lhe ardia. A umidade provocada pelo sangue derramado lhe mantinha a roupa colada ao corpo. Não conseguia sentir os braços, nem as pernas, e a dor que o atingia era tão insuportável que nem sequer conseguiu gritar para afastá-lo dele. Embora se o fizesseequivalesse a render-se. E não tinha chegado até onde estava para entregar-se daquele modo tão humilhante. Lutou contra a inconsciência embora estivesse esgotado. Consumido. Sem orgulho. Mesmo assim, quis opor resistência quando seus braços ficaram livres, mas não lhe responderam. Tampouco os pés, quando tentou cravá-los na terra resistindo ser arrastado por alguém que tinha mais força do que ele. Não era o seu verdugo quem o fazia, recordou-se, com alguma esperança, enquanto a escuridão era substituída por um pequeno fio de luz que penetrava através de suas pálpebras fechadas e suas fossas nasais captavam um ar mais puro e menos putrefato que o que suportava fazia dias. Aquele homem não cheirava como ele. O seu ritmo de respiração tampouco era o mesmo. Inclusive acreditou escutar uma série de insultos sussurrados com prudência que, em outras circunstâncias, tê-lo-iam feito sorrir.



Série Crônicas do Tempo
1- Tempo de Promessas
2- Tempo de Lobos
(Série Concluída)


6 de abril de 2018

A Duquesa

Série Saga Montgomery

Inglaterra, 1886. 
A jovem norte-americana Claire Willoughby só poderá receber a fabulosa herança de seu avô e salvar da ruína sua esbanjadora família, se se casar com o homem "adequado". Claire não demora para achar um marido com título nobiliário: o escocês Harry Montgomery, décimo primeiro duque de MacArran.
Harry possui um histórico castelo em Bramley, é loiro, bonito e parece encarnar toda a tradição e magia da Escócia. Entretanto, não tem dinheiro e carece totalmente de engenho e motivação para ganhar a vida ou tirar proveito de suas propriedades.
Quando foi anunciado o compromisso entre a jovem herdeira e o encantador nobre, a futura duquesa viaja a Bramley para conhecer o excêntrico clã dos Montgomery, e casualmente, a um estranho personagem: Trevelyan.
Trevelyan, é cínico, altivo e fascinante. Desvendará Claire os misteriosos vínculos que o unem aos membros do clã e se converterá em seu melhor amigo e confidente?
Dividida entre o amor e a paixão que suscita nela o aventureiro Trevelyan e o sentido de dever que a obriga a casar-se com Harry, Claire deverá tomar uma decisão.

Capítulo Um

Londres 1883
Claire Willoughby se apaixonou por Harry, décimo primeiro duque de MacArran, a primeira vez que o viu... como ocorreu com as demais mulheres do salão. Mas não foi somente a incrível beleza do homem o que a fez apaixonar-se. Não foram seus ombros, de uma largura descomunal, ou seus espessos cabelos loiros e brilhantes olhos azuis. Nem foram suas pernas musculosas, por todos os anos de montar cavalos indômitos, expostas vantajosamente sob o vistoso kilt verde. Não, não foi o que viu o que fez com que o piso tremesse sob seus pés; foi o que ouviu.
À vista do kilt, com o sporran prateado pendurando de sua cintura, a adaga de cabo de marfim embainhado em sua grosa meia de lã e o tartan jogado sobre um ombro, seguro pelo broche do lorde, ouviu um homem solitário tocando uma gaita de fole. Ouviu a brisa por cima dos brejos e a melodia local. Ouviu os canhões de Culloden e os gemidos das viúvas chorando a seus homens caídos. Ouviu os gritos de alegria pela vitória e o silêncio desesperado da derrota. Ouviu o rumor de esperança ante o aparecimento do príncipe Charlie e ouviu a desesperança quando o derrotaram. Ouviu a traição dos Campbell e ouviu o triste, triste lamento de dor dos escoceses em sua secular batalha contra os ingleses.
Harry por sua vez viu uma americana baixa e bonita, certo, mas o que a fazia quase linda era a expressão de seu rosto. Uma expressão ansiosa, interessada em tudo e por todos. Quando olhava Harry sentia que era o único ser na Terra que merecia ser escutado. Seus grandes olhos castanhos refletiam curiosidade e inteligência. Seu corpo pequeno e enérgico se movia com rapidez e caminhava com uma decisão que a maioria das mulheres não possuía.
Harry não demorou em compreender que gostava do fato de que Claire fosse uma mulher de ação. Não podia estar sentada, quieta, nem um instante, e sempre queria ir a todas as partes e ver coisas. Claire sugeria excursões e se encarregava da comida, e o único que Harry e seus amigos deviam fazer eram aparecerem. O fazia rir e lhe distraía. Às vezes falava muito a respeito da história da Escócia, mas achava extremamente divertido que a narração de uma batalha que tinha acontecido há mais de cem anos atrás lhe enchesse os olhos de lágrimas. Parecia haver centenas de homens mortos que ela considerava heróis e que, a seu parecer, tinham realizado façanhas de grande valentia e importância. Ao falar desses homens, seus olhos se tornavam sonhadores, perdiam-se no infinito. Enquanto, Harry passava o tempo admirando seus seios.





Um Oceano Entre os Dois

Beatriz Ibáñez cursa doutorado em História da Espanha do século XVIII, nas Bahamas. 

Em uma de suas travessias, junto com seu tutor, se vêem surpreendidos por uma estranha tormenta. 
Beatriz consegue sobreviver e chega a uma ilha. Ali, encontra um grupo de homens dirigido por Duncan, a quem pede ajuda. 
Depois de pensar que são traficantes tenta fugir, e é, finalmente, capturada. Sua surpresa é enorme ao se dar conta de que viajou para o passado, e de que é prisioneira de piratas ingleses, inimigos do Império espanhol. Depois de ser resgatada pelos franceses, aliados do Império, Bastian a acolhe em seu navio, que não só transportam tecidos e manufaturas, mas também escravos. 
Enquanto Beatriz os ajuda e tenta procurar uma tormenta para conseguir retornar à sua época, Bastian se apaixona por ela. Esta plácida calma se vê interrompida quando os piratas ingleses, os mesmos que a capturaram na ilha, fazem-na de novo sua prisioneira.

Capitulo Um

Volta no tempo
20 Anos antes Nassau, Bahamas. Ano 2000
Beatriz apoiou, contra a parede, a bicicleta com a que havia chegado, vinda de seu pequeno apartamento localizado no centro da cidade perto da Universidade de Nassau. Fazia quase dois meses que chegara a Nassau. Instalouse naquela calorosa cidade e começara redigir sua tese.
Em seus vinte e seis anos, era licenciada em história pela Universidade de Salamanca, com um mestrado universitário em estudos avançados e investigação em história, sociedades, poderes e identidades e agora, estava a ponto de terminar seu doutorado sobre A Espanha do Século XVIII.
Seu doutorado se apoiou no estudo do Império espanhol, no comércio de escravos, em como tudo isso havia influenciado na Guerra de Sucessão Espanhola e o sistema do Utrecht; na mudança drástica que se deu nesse século, e as reformas internas que se realizaram na política borbônica que se aplicou. E que melhor lugar que as Bahamas para acabar seu doutorado? Essa zona foi a chave naquele período, onde os espanhóis junto a seus aliados franceses lutavam pela conquista daquelas novas terras, para expandir-se mais e conquistar aquele novo mundo.
Havia lhe atraído desde pequena e, agora, estava a ponto de se converter em uma qualificada doutora em história. Havia solicitado o ingresso e, graças a seu imponente currículo e à fluidez dos idiomas que falava, haviam concedido. Ali poderia visitar lugares concretos, museus e inclusive ver algum navio afundado em um naufrágio.
Graças aos museus e à documentação que datava daquela época, poderia fazer uma tese brilhante e, certamente, conseguir aquele lugar, tão ansiado, como professora de história na Universidade de Salamanca. Entrou na universidade, sentindo aquele intenso calor. Ao menos, enquanto o sol não continuasse roçando sua pele seria mais suportável.
O professor William Davis era seu mentor ali. Se de algo podia estar agradecida é que, além disso, possuía um dos melhores historiadores a seu lado, um homem que havia lecionado história na Universidade de Columbia durante vinte anos, e que agora, fazia pouco mais de dois anos, era o reitor da Universidade de Nassau. Não poderia ter tido um tutor melhor que esse.
William era um verdadeiro encanto. Pouco depois de saber que lhe haviam concedido a bolsa de estudos, recebeu um e-mail dele, dizendo que se encarregaria de tudo para sua chegada, inclusive lhe pediu informação sobre sua tese para começar a adiantar trabalho e ajudá-la.
Não era somente isso, jantara com ele e sua esposa, uma infinidade de vezes naqueles dois últimos meses, inclusive dormiu em sua casa.
― Se enrolou nos lençóis? ― perguntou William com um sorriso enquanto lhe estendia uma boa xícara de café. Beatriz forçou um sorriso, enquanto depositava a pasta sobre a mesa e agarrava o café que ele oferecia, realmente agradecida.
― Este calor é horrível ― disse a contra gosto. ―Não consigo dormir de noite.
― Tudo é questão de se acostumar ― pronunciou, sentando-se a seu lado. ― Bem ― disse sem mais demora, ― preparou o que lhe pedi ontem? Beatriz abriu a pasta e retirou alguns documentos.
― Aqui estão ― explicou enquanto lhe mostrava o mapa. ― Estive olhando as cartas navais tal e como me disse, e acredito que tracei a rota que os navios espanhóis faziam, entre as ilhas, para comercializar com os escravos. William observou o mapa atentamente.
― É interessante. Incluiu os franceses também?
― Não, somente os espanhóis. Pensei em fazer outro mapa com as rotas francesas. Ele a olhou de esguelha.
― Pode ser que sejam as mesmas. Não se esqueça, eram aliados.
― Sim, mas o governo era diferente ― pronunciou divertida. ― Pode ser que tivessem outras diretrizes. Tenho que conseguir as cartas de navegação de algum casco de navio francês ― pronunciou pensativa. William sorriu ante a emoção que a voz dela transmitia. Depois de vários segundos a observando, adotou uma posição despreocupada.
― Tenho uma surpresa para você. Ela se voltou para olhá-lo com uma sobrancelha arqueada.
― Não serão quatro livros de mais de oitocentas páginas, não é? ― brincou. ― Porque de verdade que lhe agradeço isso, mas…


25 de março de 2018

Meu Nobre Pirata




Sofía é de berço nobre, mas recebeu uma educação pouco convencional. 

Tem passado toda sua vida em um pequeno povoado da Cornualha, muito unida a seu irmão gêmeo, mas em solidão, isolada da sociedade.
Inesperadamente, um trágico acidente no mar muda sua vida para sempre. Será resgatada por um atraente capitão de coração vingativo. 
Poderá a jovem lhe demonstrar que o amor é mais importante do que a vingança? Poderá mudar um homem que se crê incapaz de amar?

Capítulo Um

Inglaterra, 1790.
― Isso é brigar sujo!
― Não se queixe tanto e defenda-se.
Voltou a lhe atacar com seu florete e seu irmão o desviou como pôde.
― Nunca deveria ter permitido compartilhar minhas lições de esgrima com você.
― E com quem praticaria? O que acontece é que está com ciúmes. Sou melhor espadachim que você.
― Porque utiliza artimanhas para me desarmar. Os cavalheiros têm um código de honra e você se atreve a ignorá-lo. Como pôde me dar uma rasteira?
― Recorde, irmãozinho, eu não sou um cavalheiro.
― A culpa é minha. Não se pode confiar em uma mulher e muito menos em você, querida.
Sofía Campbell voltou a atacar seu irmão Alfonso, e este deu um passo atrás. Encontravam-se em um prado, dentro das propriedades de seu pai, o conde do Hawsley, praticando esgrima como em todas as tardes. Eram gêmeos e, embora sempre estivessem discutindo, queriam-se com loucura e cuidavam-se mutuamente. Assim, tudo o que tinha aprendido, Alfonso o tinha ensinado a sua insistente irmã — tanto latim como montar a cavalo — e, embora ele às vezes se queixava de que Sofia se saísse melhor, não podia evitar sentir-se orgulhoso dela. Viviam na casa da família, na Cornualha, durante todo o ano, sem assistir aos eventos sociais. Quem unicamente tinha insistido em viajar a Londres para as temporadas tinha sido sua mãe Isabel, mas desde que ela havia falecido, quando eles tinham dez anos, ninguém havia tornado a sair dali, e o conde ficava ausente na maior parte do tempo.
O matrimônio de seus pais tinha sido por conveniência e, para descontentamento do conde, Isabel não tinha sido a dócil dama espanhola de alta linhagem que lhe tinham prometido seus pais. Assim que casou-se não houve festa a que não assistisse e nenhum homem que se livrasse de seus encantos. Para desgosto de seu marido, insistiu em pôr nomes espanhóis em seus filhos. E para maior ofensa, seus descendentes resultaram ser tão indomáveis quanto sua progenitora. Ambos falavam espanhol com fluidez graças à teimosia de sua mãe em falar sempre naquele idioma. Alfonso se parecia fisicamente com a mãe, com o cabelo castanho e os olhos escuros, mas com um temperamento tranquilo, mais parecido com o de seu pai; justamente o contrário de sua irmã, que era impetuosa e fisicamente parecida com o ramo familiar inglês, com um cabelo loiro escuro e os olhos verde jade. Embora, ainda que de longe parecessem dois cavalheiros combatendo, de perto podia-se apreciar a feminilidade da jovem. Tinha seu comprido cabelo recolhido em uma trança e, para desgosto dela, as calças e a camisa faziam destacar mais as suas curvas.
Com uma finta, Sofía conseguiu desarmar seu irmão; o florete saiu voando e Alfonso caiu para trás.
― Renda-se e admite que sou melhor que você ― disse, apoiando no pescoço dele a ponta do florete com o protetor.
― Isso nunca!
Enrolou suas pernas com a dela, e com um empurrão Sofía se encontrou caída na erva ao lado de seu irmão.
― Oh! Alfonso, olhe quem fala de brigar sujo!
Ambos riram, mas interromperam as risadas de repente para ouvir um ruído procedente do caminho. Endireitaram-se e observaram uma carruagem aproximando-se da mansão.
― Não tinha previsto vir só dentro de dois meses?
― Já sabe como é o pai; as datas em suas cartas são mais orientativas. Sempre adianta ou atrasa sua volta a seu gosto.
― Tal como aos dias de sua estadia, que sempre resultam ser de menos do que diz e nunca de mais.
― Pensei que já tinha superado essa etapa…
― Certo, já não sou uma menina ansiando a volta do pai para que me dê uns tapinhas na cabeça e me diga quão bonita sou. Agora, aos meus vinte anos, posso ver a realidade tal qual é. Não se importa conosco e jamais o fará.
― Somos seus filhos... Não pode nos ignorar, embora o tente. Acaso não tem que pagar nossas faturas?
― Recorde que estuda em casa porque o pai pensou que seria esbanjar dinheiro se o enviasse a uma escola e depois à universidade como o resto de seus amigos?
― Algo que lhe estaremos eternamente agradecidos, não opina igual?
― Sim, não poderia ter suportado estar longe de você e ficar escondida neste mausoléu.
Sofía apertou-lhe a mão carinhosamente, voltou a vista à casa e lhe sorriu com troça.
― Desafio-o para uma corrida.
Antes que Alfonso pudesse reagir, Sofía corria para sua égua, que pastava placidamente junto à de seu irmão. Subiu de um salto e a esporeou. Ele a imitou, mas embora pelo caminho tenha conseguido ultrapassá-la, o primeiro a chegar aos estábulos foi ela.
― Não se cansa de perder sempre pra mim?
― Deixa de brincadeiras e vá se trocar antes que ele a veja. Não queremos pôr um lenço vermelho diante do touro, não?
― Nem se daria conta.
― Você crê? Recorda como ficava com a mãe.
― Oh, por Deus! Não compare! As coisas que ela fazia eram muito piores, nem eu as posso justificar.
― É melhor que sejamos precavidos. Se não está casada é porque conseguiu passar despercebida, mas se o irrita em algum momento…
― Oh, está bem! Como se não preferisse um vestido a esta ridícula indumentária.
Seu irmão não entendeu o comentário como tampouco viu o olhar apreciativo do moço para o traseiro de sua irmã, mas esta foi incomodamente consciente dele.
Assim que chegou a seus aposentos, encontrou-se com sua criada Elvira, que tinha vindo com sua mãe da Espanha, já com o vestido preparado.
― Supus que gostaria de algo singelo.
― Tudo que seja preciso para que meu pai não se lembre de que cresci. Como muito bem me lembrou meu irmão, é um milagre que ainda não tenha comentado nunca nada comigo sobre matrimônio.
― A verdade é que já está na hora de se casar. Mas tampouco quero vê-la casada com um homem que seu pai escolha.
― Eu não quero me casar nunca.
― Oh, não seja mentirosa! No fundo sei que é uma romântica. É só vê-la com os meninos do povo. Seria uma mãe maravilhosa. Mas você precisa casar-se por amor, está tão carente disso…
― Não necessito amor.
― Necessita sim. Além disso, não quer estar sozinha para sempre, não?
― Não estarei sozinha, tenho a meu irmão.
― Mas o senhorzinho não vai estar sempre a seu lado. Ademais, alguém pode sentir-se só mesmo estando rodeada de gente, não é verdade?
Seu olhar ficou fixo no espelho, enquanto Elvira lhe abotoava o vestido nas costas. Não podia negar suas palavras. Fazia algum tempo notava um estranho vazio que não sabia como preencher. Além disso, sentia certa inveja por suas vizinhas e amigas, que estavam todas casadas, muitas já com filhos. Em especial de sua melhor amiga, a filha do vigário, pela maneira como a olhava seu recente marido… A ela nunca tinham olhado assim. Com luxúria sim, desgraçadamente muitas vezes, mas com essa admiração, essa devoção, esse… amor, não, nunca.
― E infelizmente aqui não abundam os cavalheiros. Os poucos que há já estão casados ou são muito velhos para você. Embora sendo realista, nenhum deles poderia aspirar a casar-se com a filha de um conde.
― Crê que minha posição os manteve afastados? ― perguntou com certo tom desalentado, que sua criada notou e, insistindo para que se sentasse na penteadeira para penteá-la, olhou-a com carinho.
― Não se preocupe, o homem para você aparecerá cedo ou tarde.
Tomara que seja logo…




Série Perseguidores de Vingança
1- Meu Nobre Pirata





21 de março de 2018

Meu Duque Escandaloso

Uma boa amiga merece um amante...

Lady Eleanor Palmer, uma jovem e prática viúva, quer uma família própria. 
Seu primeiro casamento foi uma aventura desastrosa, por isso, desta vez, nada quer além de um homem apropriado. E absolutamente não, “quem” ela está procurando? Não o impulsivo malandro do Duque de Hampshire.... Embora o amasse secretamente, por muito tempo, mais do que conseguia se lembrar.
Nicholas Langford, o Duque de Hampshire, sempre contou com o humor e bom senso de Eleanor. Quem mais poderia guiá-lo através de um escândalo com risos e graça? Ele faria qualquer coisa para garantir a felicidade de sua velha amiga, até mesmo ajudar Eleanor a encontrar um adequado novo marido.
Quando Eleanor faz planos para uma nova vida, sem ele no centro, Nicholas percebe a profundidade de seus próprios sentimentos. Mas ele não pode oferecer a Eleanor nada do que ela pensa querer. Como poderá convencê-la de que ele é tudo o que ela realmente deseja?

Capítulo Um

Maio 1801, Londres
A parte mais difícil em dizer ao seu irmão, novamente, que ela estava deixando sua casa, era sobre o quanto Eleanor queria ficar. Não era todo mês que uma mulher se tornava tia pela primeira vez.
Mas ela não poderia manter emprestada a família de seu irmão. A casa de seu irmão. Não quando ela já tinha tido sua própria casa.... bem, quase. Não quando ela estava determinada a ter tudo isso novamente.
― Não seja bobo, Sidney ― ela disse suavemente, olhando para o canto de trás de seu guarda-roupa recém-esvaziado. ― Você e Mariah não precisam de mim ao redor, agora que você tem o seu primogênito com o qual se ocupar. Você vai ter essa ala inteira cheia de babás e tutores, dentro de uma semana.
Ela tinha retirado todos os seus vestidos? Seus sapatos, seus xales? Certamente que ela tinha, porque eles cobriam a cama e as cadeiras em grandes derramamentos de cores. Os perfumes de cânfora e flores secas preenchiam a sala, suaves, mas inconfundíveis. Ela empurrou os rebeldes cachos castanhos para trás, firmando seus grampos mais apertados. Embalar suas coisas seria muito mais fácil se o seu irmão mais velho não tivesse enviado sua criada de quarto, em alguma missão inventada, como o Marquês arrogante que era. Mas não importava. Ela não tinha sido esposa de Palmer, por cinco anos, e sua viúva por três, sem aprender a fazer algumas coisas ela mesma.
― Eu duvido que vá encher toda a ala. ― Sidney, Marquês de Athelney, parecia tenso, embora ele conseguisse dar um sorriso. ― Pelo menos não até que o bebê fique velho o suficiente para um tutor.
Cruzando o espaço para poltrona favorita de Eleanor, diante da lareira, ele jogou um xale do assento para o chão e deixou-se cair na poltrona. O dia estava muito bom e a lareira permaneceu apagada, mas ele esticou os pés como de hábito. ― Ellie, eu queria que você ficasse. Com o Parlamento em sessão e tantas noites ocupadas com esses assuntos, Mariah poderia usufruir de sua companhia. Ela ficará em repouso por pelo menos uma semana.
Eleanor olhou para o xale, estendido pelo tapete, modelado como uma serpente adormecida. ― Eu sei o que você está fazendo. Você está tentando tornar, ainda mais difícil, para eu fazer as malas.
Sidney deu um sorriso que, de alguma forma, misturavam inocência e astúcia diabólica. Ele era muito mais loiro do que Eleanor, com cabelos claros bem-comportados e pele mais sardenta, mas quando ele usava essa expressão, a semelhança entre os irmãos era inconfundível.
― Você, seu criador de intrigas. Bem, não vai funcionar. ― Eleanor ordenou os sapatos na cama, combinando chinelos, calcanhar com calcanhar. ― Tenho a intenção de me casar novamente. Eu já o queria a dois anos, desde que eu terminei meu luto por Palmer.
― E você pode se casar novamente. Claro que você pode. Apenas, espere para sair na sociedade até…
― Aguarde até.... Espere até. Espere até o que? Sempre há algo para esperar. ― Com seu arroubo de impaciência, um olhar cansado contraiu as feições de Sidney, novamente, e ela cedeu. ― Você tem que entender. Como vou encontrar um novo marido se eu ficar aqui com Mariah e o bebê durante toda a temporada?
Sidney teve que admitir a solidez de sua pergunta. ― Mesmo assim. Não é certo para uma respeitável viúva se tonar hospede de alguém quando você poderia estar vivendo com a família.
Ah. Sobre isso. ― Eu não estou me tornando exatamente uma hospede, Sidney. Eu estarei vivendo em…
― Pronta para ir, Ellie, vamos embora de Athelney Place? ― Um belo rosto familiar apareceu na porta do quarto. ― Pelo amor de Deus, você tem mais roupas do que uma cortesã.
Nicholas Langford, o Duque de Hampshire, falou logo que ele entrou no quarto.
A visão de seu velho amigo sempre fez Eleanor sorrir. ― Olá, Nicholas. Eu não vou nem perguntar como você sabe quantas roupas tem uma cortesã.
― Eu diria que a resposta é óbvia.
Para cobrir uma risada, Eleanor soprou um fio errante de cabelo longe de seu rosto. ― Sim, bem. Sarah já embalou a maioria das minhas coisas, mas Sidney mandou-a para o peixeiro antes que ela pudesse terminar com meus vestidos e sapatos. ― A maioria deles era velho e fora de moda, mas ela tinha o hábito de não descartar qualquer coisa que pudesse ser aproveitado.
― O peixeiro? ― Nicholas disse. ― Realmente, Sid, você poderia ter pensado em algo mais plausível do que isso. Ninguém vai para o peixeiro às onze horas em um sábado.
Sidney o ignorou, virando seu corpo magro na poltrona para enfrentar o Duque.
― Espere. A que se refere com essa pergunta que fez a Ellie “pronta para ir”? Vocês dois estão indo para algum lugar juntos?
Tantas suspeitas. Eleanor sorriu. ― Como eu estava prestes a dizer-lhe, eu vou ficar na casa da mãe de Nicholas. Não é maravilhoso?
Sidney se recusou a concordar que aquilo era maravilhoso. Em vez disso, ele franziu a testa com o tipo de severidade que alguém só poderia dirigir a um irmão ou um amigo de toda a vida e, agora, cada um deles estava recebendo todo seu aborrecimento.
― Todo esse negócio de Ellie deixar Athelney Place foi idéia sua, não foi?
O Duque ergueu as mãos, as sobrancelhas negras erguendo-se com malícia.
― A ideia foi de Ellie. Completamente. Eu juro, eu sou inocente. Eu simplesmente concordei que ela poderia usar a casa de minha mãe, enquanto que a boa senhora está residindo em outro lugar, no momento.





17 de março de 2018

Rendição

Série Guerreiros MacKinnon
Iain Mackinnon e seus irmãos, Morgan e Connor, formam parte de um seleto esquadrão de guerreiros que reúnem a coragem de seus antepassados escoceses, o sigilo e a astúcia dos índios que vivem nas florestas das colônias americanas. 

Chantageados pelo comandante Lorde William Wentworth, os três irmãos se veem forçados a servir à coroa inglesa na guerra contra os franceses e seus aliados índios se não quiserem ser acusados de traição. 
Durante uma perigosa missão, Iain encontra uma mulher que está a ponto de cair nas mãos dos índios Abenaki, mas os enfrenta ferozmente. Impressionado pela beleza e coragem da jovem, Iain intervêm para salvá-la ignorando todos os perigos, descumprindo ordens e arriscando a vida de seus homens e seus irmãos.
Imediatamente o amor surge entre Iain e a desconhecida, mas o jovem guerreiro ignora que a mulher que resgatou havia sido vendida como serva por seu indesejável tio, além de formar parte de um dos clãs mais odiados por sua família. 
Lady Anne Burnes Campbell não vê outra saída que ocultar sua verdadeira identidade se não quiser ser novamente vendida como escrava. À medida que o tempo passa e cresce o amor entre eles, Annie se vê forçada a decidir se continua ocultando sua identidade ou conta a verdade, arriscando-se a perdê-lo para sempre.

Capítulo Um

Inveraray, Escócia, 14 de setembro de 1757
Lady Anne Burness estava agachada em um canto úmido do calabouço. Não parava de tremer. As lágrimas desciam por seu rosto triste, ainda que não fosse consciente de seu aspecto. Seu olhar vagava perdido na escuridão, indiferente aos ratos que caminhavam entre as partes secas e escuras. Que importância tinham os ratos?
A qualquer momento, os agentes do xerife viriam buscá-la. A levariam à praça do povoado e lhe fariam uma marca no dedo. A marcariam para sempre como ladra. No fim, a devolveriam ao mar, ultrajada. Mas ela não tinha roubado nada. Nada.
— Mamãe! Mamãe!
Sua mãe já não podia ajudá-la. Estava morta há três semanas. Sua alma estava quebrada, sua respiração era débil. Tio Bain havia dito que tinha sido um acidente, uma terrível tragédia, mas Annie sabia toda a verdade. Tinha ouvido os rumores dos serventes, ouviu falar sobre seus estranhos gostos, sobre sua inclinação a infligir dor ao próximo. Lembrava perfeitamente a quantidade de moços e moças do serviço que tinham sido mortos nos últimos anos, e lembrava também, que as causas de tantas mortes permaneciam no esquecimento. E logo estava à advertência que sua mãe lhe fez um dia.
“Se algum dia me acontecer algo, oxalá que não, pegue minhas joias e todas as moedas que tenha e fuja deste lugar. Vá a Glasgow e busca ao procurador de seu pai, Argus Seton. Não acredite em seu tio Bain! Sei que lhe quer bem, mas não é de confiança. Entendeu, Annie?”
Annie não tinha entendido nada. Até esse momento. Se tivesse sabido antes… se sua mãe tivesse explicado a maneira de afastar-se dele…mas sua mãe não podia assumir a desonra de permitir que Annie soubesse. E agora era muito tarde. Sua mãe já não estava.
Annie tinha o coração quebrado por sua pesada carga de dor e se esforçava por não soluçar. Como gostaria de ouvir a voz de sua mãe naquele momento, sentir suas carícias em seu cabelo, voltar a ver seu lindo sorriso, sinais simples do amor de mãe. Annie nunca valorizou esses preciosos sinais até que os perdeu para sempre. Como poderia viver sem ela? Tinha ficado sozinha.
E iam marcá-la e enviá-la em um barco para uma terra desconhecida, uma manobra orquestrada por um homem que tinha querido como a um pai.
Era como estar presa em um grande pesadelo. O medo se estendia por seu ventre como um rápido veneno. Doeria muito a prancha de aço? Poderia aguentar a travessia? Que tipo de pessoas teria que servir?
“Seja valente, moça! Não deixe que o medo se apodere de seu corpo “.
A voz de seu pai, aquelas palavras que ouviu de sua boca fazia tanto tempo penetraram em sua mente em seguida. Annie tinha cinco anos e ele estava ensinando a montar seu pônei. Mas o pônei parecia tão alto… tinha medo. Ele murmurou com sua voz e seu sorriso tranquilo a acalmaram, então finalmente esteve cavalgando durante uma hora inteira. Quando Annie aprendeu a cavalgar com grande técnica, os elogios de seu pai iluminavam seus dias, foi o verão mais feliz de sua vida.
Nesse mesmo ano, seu pai morreu lutando pelo rei Jorge em Prestonpans, partido em dois por uma claymore[1] em plena luta jacobita, assim como seus filhos, os irmãos de Annie, Robert, William e Charles, junto a ele. Tio Bain os flanqueava e também estava na batalha. Apesar de estar ferido, protegeu seus corpos com sua própria claymore e assim se converteu em um herói renomado.
Annie tinha então seis anos. Durante um tempo, Annie viveu com sua mãe. Seu pai, apesar de ser conde, não tinha riqueza alguma. Pressionada pelos credores e sumida no desespero, sua mãe se viu forçada a vender a fazenda e ir viver com o tio, irmão de seu marido. Bain, um marquês viúvo com um único filho que vivia em Londres, abriu-lhes as portas de sua casa. Somente depois da morte de sua mãe, Annie se deu conta que ele não tinha atuado por bondade ou gentileza.
Se seu pai ou seus irmãos vivessem... tudo seria muito diferente. Se apenas seu pai estivesse vivo…
“Ruído de passos”.
Annie tentava engolir saliva, mas tinha a boca seca. O coração batia descompassado. Se tivesse algo no estômago, teria vomitado ali mesmo.
“Seja valente, moça!”
Obrigou-se a ficar de pé e alisou a saia longa. As pernas tremiam. Secou as lágrimas. Passasse o que passasse, seguia sendo lady Burness Campbell.
Tilintar de chaves. Movimento de ferrolhos e dobradiças.
Uma leve réstia de luz penetrou na cela, iluminando os ratos, então a porta se abriu e apareceram os torturadores. Levava três semanas sendo vítima de seus olhares lascivos, escutando seus toscos murmúrios. Tinha feito todo o possível para escapar de suas mãos.
— Não tem ficado por menos, bonita? — Fergus, o mais alto dos dois, deu-lhe um sorriso repulsivo e soltou uma gargalhada. — Vamos, venha conosco.
Wat, o mais baixo, agarrou bruscamente seu braço. — Veio um senhor para vê-la.
— Um senhor? — Annie sentiu uma repentina brisa de esperança. Pelo visto o xerife tinha enviado sua carta a Argus Seton. O melhor amigo de seu pai tinha chegado para dar fé de que ela era lady Anne Campbell e não uma pobre criada ladra, como dizia seu tio. — Quero vê-lo.
— Quero vê-lo — burlou Fergus. Puxou umas algemas. — Fala como se estivesse dirigindo seus servos.
— Não podemos humilhá-la um pouco mais, aqui, em cima da palha? Podemos fazer por trás, não poderá dizer nada de nós.
Annie reagiu com falsa frieza ante suas palavras para que desistissem de suas intenções. Tinha aprendido que a pose de moça virgem amedrontada só alimentava a crueldade dos homens. Estendeu os pulsos e sentiu em seguida a crua frieza do ferro contra sua pele enquanto Fergus colocava as algemas.
— Não temos tempo para isso agora, Wat. — Fergus olhou seu rosto e sorriu abertamente. — Sinto decepcioná-la, moça.
Os dois homens a empurraram para que saísse da cela e a seguiram por um corredor estreito repleto de candeeiros de ferro que se penduravam da imunda parede cinza com velas grossas e amareladas. Dúzias de portas fechadas que escondiam celas de onde vinham ruídos humanos de desgraça: murmúrios, gemidos, soluços de mulher, impropérios e até o riso de um homem. Annie queria fugir desse lugar, do fedor, do terror e da solidão que dele emanava.
Talvez estivesse perto de sua libertação. Tinha rezado muito. Tentava imaginar o cavalheiro e sentia um grande alívio. Tinha que ser o senhor Seton. Era o único para quem tinha escrito. Não tinha ninguém mais. Não podia ser ninguém mais.
Era um homem bondoso e respeitado por seus anos de trabalho na área da contabilidade e estava segura que conseguiria liberá-la, ainda ajudaria na devolução de suas joias e de todos os pertences que tinha deixado na mansão de seu tio quando se viu forçada a fugir. E longe de Inveraray, a primeira coisa que pediria seria um banho quente e uma cama. Levava três longas semanas privada de tudo isso.
Entraram em outro corredor, mas, em lugar de subir como quando a levaram à frente do tribunal, desceram umas escadas escuras e dobraram num canto para a esquerda. Annie parou e olhou a escuridão dessas escadarias de pedra, o medo percorria sua espinha dorsal.
— Onde estão me levando?
Fergus lhe deu um empurrão que quase a mandou ao chão.
— Logo saberá, mulher.
A cada passo, a incerteza e o pavor de Annie iam aumentando. As repartições públicas dos calabouços estavam acima, não abaixo. Se o procurador de seu pai tinha chegado a tempo, seguramente estaria esperando acima.
“Seja Valente, moça!”



Série Guerreiros MacKinnon
1- Rendição

Alguém para Amar

Série Westc.
Westcott Humphrey, Conde de Riverdale, morreu, deixando para trás uma fortuna.

Isso vai alterar para sempre a vida de todos em sua família, incluindo a filha que ninguém sabia que ele tinha...
Anna Snow cresceu em um orfanato em Bath não sabendo nada da família de onde veio. 
Agora, descobre que o falecido Conde de Riverdale era seu pai e herdou toda sua fortuna. Além disso, ficou radiante ao saber que tem irmãos. 
No entanto, não querem ter nada a ver com ela ou para compartilhar sua nova riqueza. Mas o guardião do novo conde está interessado em Anna...
Avery Archer, Duque de Netherby, mantem outros distantes. No entanto, algo o leva a ajudar Anna em sua transição de órfã para lady.
Quando a sociedade de Londres e seus recém-descobertos parentes ameaçam submergir Anna, Avery entra em cena para resgatá-la e encontra-se vulnerável aos sentimentos e desejos tão bem escondidos por tanto tempo.

Capítulo Um

Apesar do fato que o falecido Conde de Riverdale tivesse morrido sem ter feito um testamento, Josiah Brumford, seu advogado, tinha encontrado assuntos suficientes para discutir com seu filho e sucessor, com a concessão de um encontro cara-a-cara em Westcott House, residência londrina do Conde em South Audley Street.
Tendo chegado prontamente, iniciou o caminho através de saudações efusivas e, obsequioso, Brumford começou a encontrar uma grande quantidade de nada, em particular, para transmitir de forma longa, tediosa e com detalhamento pomposo.
Estaria tudo muito bem, Avery Archer, Duque de Netherby, pensou um pouco rabugento, quando estava diante da janela da biblioteca e tomou seu rapé, em um esforço para afastar os impulsos de bocejar, se não tivesse sido obrigado a estar ali também a suportar o tédio.
Se apenas Harry fosse um ano mais velho – tinha acabado de fazer vinte, antes da morte de seu pai – então Avery não precisaria estar ali e Brumford poderia falar para sempre e um dia, tanto quanto estivesse interessado. Por alguma reviravolta bizarra e completamente irritante do destino, no entanto, Sua Graça encontrou-se com a guarda conjunta do novo Conde junto a Condessa, a mãe do rapaz.
Foi tudo extremamente ridículo à luz da notoriedade de Avery para indolência e para evitar qualquer coisa que poderia ser apelidada de trabalho ou o desempenho do dever.
 Tinha um secretário e numerosos outros agentes para lidar com todos os negócios tediosos de sua vida. E havia também o fato de que era meramente onze anos mais velho que seu pupilo.
 Quando ouviu a palavra Guardião, conjurou em sua mente a imagem de um ancião gravemente digno. No entanto, parecia que tinha herdado a tutela, que o seu pai, aparentemente, concordou em algum momento, num passado distante – por escrito – quando o falecido Conde tinha, incorretamente, pensado estar às portas da morte. No momento que o Conde morreu, há algumas semanas, o velho Duque de Netherby estava dormindo, pacificamente, em sua própria sepultura por mais de dois anos e foi, portanto, incapaz de ser guardião de alguém.
Avery poderia repudiar a obrigação, uma vez que, não era ele o Netherby mencionado nessa carta de acordo e que, de qualquer maneira, nunca havia sido transformada em um documento legal. Não tinha feito isso, no entanto. Não desgostava de Harry e, realmente, sentia-se muito incômodo em recusar-se a assumir um inconveniente tão leve e temporário.
Parecia não tão leve no momento. Se ele soubesse que Brumford era tão estrondosamente chato, poderia redimensionar o esforço.
― Realmente não havia necessidade de meu pai fazer um testamento ― Harry estava dizendo em um tom utilizado com a finalidade de encerrar uma longa discussão que se movia em círculos intermináveis ― Não tenho irmãos. Meu pai confiava que eu iria prover, generosamente, para a minha mãe e irmãs de acordo com os seus conhecidos desejos e, é claro, que não falharei nessa confiança. Certamente, também, vou assegurar que a maioria dos servos e retentores em todas as minhas propriedades serão mantidos e que, aqueles que deixarem emprego por qualquer motivo – o valete de meu pai, por exemplo – sejam devidamente compensados. E você pode estar certo de que minha mãe e Netherby não vão desviar-se destas obrigações até que eu atinja a maioridade.
Ele estava de pé junto a lareira ao lado da cadeira de sua mãe, em uma postura relaxada, um ombro apoiado contra a cornija os braços cruzados sobre o peito, um pé apoiado na grade da lareira. Era um rapaz alto e um pouco desajeitado, embora mais alguns anos cuidassem dessa deficiência.
Era loiro, de olhos azuis e com um semblante agradável que muitas jovens damas, sem dúvida, achavam incrivelmente bonito. Também era quase indecentemente rico. Ele era gentil e charmoso e vinha se movendo de forma selvagem durante os últimos meses, enquanto seu pai esteve muito doente para notar e, posteriormente, durante as duas semanas desde o funeral.
 A ele, provavelmente, nunca havia faltado amigos, mas agora eles abundavam e teriam preenchido um vilarejo de tamanho considerável, talvez até mesmo um pequeno condado, a ponto de transbordar. Provavelmente amigo seria uma palavra muito gentil a ser usada para a maioria deles. Bajuladores e parasitas seria melhor.
Avery não tinha tentado intervir, e duvidava que o faria. O rapaz parecia de caráter suficiente bom e, sem dúvida, se acomodaria com a idade adulta de forma branda e irrepreensível, se deixado à sua própria sorte. E se, nesse meio tempo, experimentou uma grande variedade de coisas e desperdiçou uma pequena fortuna, bem, provavelmente haveria coisas de sobra no mundo e ainda haveria uma grande fortuna restante para desfrutar na idade adulta. Seria preciso muito esforço para intervir, de qualquer maneira, e o Duque de Netherby raramente fazia esforço para o que era dispensável ou o que não era favorável ao seu conforto pessoal.
― Eu não duvido, absolutamente, meu senhor




Série Westcott
1- Alguém para Amar 




O Arqueiro

Série Guardiões das Highlands
O ano mil trezentos e doze de Nosso Senhor... 

Por seis anos Robert Bruce¹ e seu grupo secreto de guerreiros de elite, conhecidos como 
Os guardiões da Escócia, vem travando um novo tipo de guerra contra os Ingleses, que tem procurado obter a coroa da cabeça do rei Robert e fazer da Escócia um feudo com o rei da Inglaterra como seu Senhor.
Para derrotar o mais poderoso exército nas terras cristãs, superior em número, armamento e treinamento, Bruce abandonou o estilo de luta dos cavaleiros e adotou a guerra “pirata” dos guerreiros ferozes das Terras Altas e das Ilhas Ocidentais. 
Como os nórdicos que desceram sobre a costa litorânea da Grã-Bretanha centenas de anos antes, Bruce golpeou terror no coração do inimigo com seus ataques surpresas, emboscadas e queimando a terra para não deixar nada para trás, ganhando a batalha para os campos da Escócia.
Mas com as guarnições inglesas ainda ocupando importantes castelos da Escócia, e poucas armas de cerco a sua disposição, Bruce terá que se tornar ainda mais inventivo, usando astúcia, trapaça, e as habilidades especiais dos homens de sua Guarda da Escócia para recuperá-los.

Capítulo Um

Berwick Castle, English Marches, 6 de Dezembro de 1312
Não há nada de errado comigo.
Gregor puxou a fecha para trás e a soltou. Um tiro. Uma morte. Ele não perderia.
Ele não perdeu. O soldado congelou em choque paralisado quando a flecha do Gregor encontrou o estreito pedaço de pele entre os olhos, um dos poucos lugares desprotegido pelo elmo de aço preferido dos soldados. O antigo elmo de estilo nasal que os Guardiões da Escócia usavam teria os servido melhor. Mas mesmo nesta estreita faixa, Gregor tinha não mais que trinta metros de distância, tal pequeno alvo exigia habilidade para bater. Habilidade como a possuída pelo maior arqueiro na Escócia.
Um momento depois, o corpo do inglês caiu no chão como uma árvore abatida. Antes mesmo de atingir o chão, o próximo alvo já havia aparecido na muralha. Gregor mirou rápido e disparou. Ele não pareceu pensar; seus movimentos eram tão suaves e preciso como um motor afinado de guerra. Mas a fachada legal, sem esforço mascarava o foco e a concentração intensa embaixo. Todo mundo estava contando com ele, mas quando estava sob pressão era quando Gregor McGregor estava no seu melhor.
Normalmente.
O segundo soldado caiu conforme a flecha acertou o alvo.
Depois de quase sete anos de luta na elite da Guarda Highland do Bruce, ninguém foi melhor em eliminar os principais alvos antes de um ataque do que Gregor. Alvos. É assim que ele tinha de pensar deles. Um obstáculo entre ele e seu objetivo que precisava ser eliminado para conseguir a vitória. E tem havido muitos obstáculos ao longo dos últimos sete anos.
Mas eles estavam fazendo progresso, progresso real, e a vitória sobre os Ingleses que mais pensara impossível foi se aproximando da realidade. Desde que voltou para a Escócia a partir das ilhas ocidentais, onde Bruce e aqueles leais a ele tinham sido forçados a fugir há seis anos, o rei tinha feito melhorias constantes em arrancar seu reino da ocupação Inglesa. Ele derrotou seus próprios compatriotas para assumir o controle do Norte; Robbie Boyd, junto com James Douglas e Thomas Randolph, tinham um aperto firme nas Fronteiras sem lei; e do antigo reino Celta isolado de Galloway estava prestes a cair para o único irmão restante do rei, Edward Bruce.
Tudo o que restavam eram as guarnições Inglesa entrincheiradas nos castelos da Escócia, e um por um essas estavam caindo para Bruce também.Mas nada seria mais importante do que Berwick Castle. A fortaleza impenetrável dos escoceses ou ingleses Marches (dependendo de quem atualmente tinha o controle) tinha visto mais do que a sua quota desta guerra e serviu como sede Inglesa do rei em suas campanhas anteriores. Tomando-a os trariam a um passo, um grande passo, mais perto da vitória. Mas, sem armas de cerco, Bruce e seus homens tiveram que confiar em métodos mais inventivos. Como as escadas de corda com grampos fixantes que dois dos companheiros de Gregor da Guarda Highland estavam esperando para atirar por cima do muro, tão logo ele limpasse as muralhas do inimigo.
Gregor olhou para a escuridão, varrendo a parede pacientemente, seu pulso lento e constante.Haviam três soldados patrulhando esta seção do muro. Onde estava o terceiro?
Lá! 










Série Guardiões das Highlands
0,5- O Resgate da Guarda das Highlands
1- O Guerreiro
2- O Falcão3- O Guardião
4- Víbora
5- O Santo
6- O Recruta
7- Guarda das Highlands
7.5 - O Cavaleiro
8- O Saqueador
9- O Arqueiro
10. The Striker - a revisar
11. The Rock  - idem seguintes
11.5. The Rogue
12. The Ghost

O Saqueador

Série Guardiões das Highlands
De todos os guerreiros de elite de Bruce, Robert "Raider" Boyd é o mais formidável. 

Um verdadeiro patriota cujas mãos nuas são uma arma mortal, Robbie é o executor mais feroz da Guarda. Seu ódio pelos ingleses foi aperfeiçoado por uma navalha de lâmina afiada. 
Mas a vingança se prova agridoce quando a bela irmã de seu inimigo cai em suas mãos, e ele se vê lutando contra a tentação; uma batalha que quer muito perder.
Lady Rosalin Clifford mal reconhece o prisioneiro rebelde que salvou da execução seis anos antes. Embora seus ideais de justiça de menina tenham maturado para uma paixão pela justiça, Rosalin acredita que traiu seu irmão quando ajudou este homem perigoso a fugir. Agora, seu ato de traição está de volta para assombrá-la. Mas ela não pode negar o desejo que este guerreiro atormentado inflama dentro dela, ou negar a paixão que transforma inimigos jurados em amantes. Mas será o amor suave de uma verdadeira Rosa Inglesa suficiente para libertar o guerreiro mais brutal da Escócia de sua obsessão pela vingança, antes que seja tarde demais?

Capítulo Um

Cranshaws, fronteiras escocesas, Fevereiro de 1312.
O inglês iria pagar.
Robbie Boyd, braço direito do rei Robert nas fronteiras, encarou o celeiro queimado e jurou vingança.
Sua boca tornou-se uma linha sinistra, o gosto amargo da lembrança era tão ácido como a fumaça em sua garganta. Ele nunca seria capaz de ver um celeiro destruído sem pensar naquele que servira de fogueira para o seu pai.
Essa foi sua primeira lição, aos dezessete anos, sobre injustiça e traição inglesa.
Nos quinze anos seguintes ele teve muito mais.
Mas isso terminaria. Por tudo que era mais sagrado, ele tinha certeza disso. Custe o que custar, ele veria a Escócia livre desses soberanos ingleses. Nunca mais um filho veria seu pai ser queimado e pendurado nas grades, nenhum irmão veria sua irmã ser estuprada ou seu irmão ser assassinado e nenhum agricultor veria suas terras destruídas e seu gado roubado.
Ele não se importava se tivesse de lutar mais quinze anos, ele não descansaria até que o último ocupante inglês fosse expulso da Escócia e o leão (símbolo da realeza Escocesa) rugisse livre.
Liberdade era a única coisa que importava. Nada mais importava desde o primeiro dia em que levantou sua espada para lutar ao lado de seu amigo de infância, William Wallace.
Ao relembrar as causas da morte de seu amigo, Robbie serrou a mandíbula com a determinação de aço nascida do ódio. Ele virou-se para as toras de madeiras queimadas — o último exemplo da “justiça” inglesa — para enfrentar os moradores que cautelosamente se aproximaram da mansão.
—Quem fez isso? — ele perguntou, a serenidade de seu tom não mascarava completamente o aviso ameaçador disfarçado.
Mas ele já sabia a resposta. Apenas um homem seria corajoso o suficiente para desafiá-lo. Apenas um homem recusará-se a renovar a trégua. Somente um homem enviaria uma missiva a Robbie para solicitar uma nova negociação em brasas.
Alguns dos moradores olharam ao redor, mas o chefe da aldeia, um fazendeiro chamado Murdock, se aproximou cautelosamente. A ansiedade entre os aldeões não era incomum. Como um dos homens mais temidos na fronteira – inferno, em todo o universo – Robbie era usado pra isso.
Apesar de sua notoriedade ter atingindo seu propósito que era causar medo no inimigo, isso não era sem complicações. Tinha a certeza que manter sua identidade secreta como um dos membros da Guarda Highland era um desafio. Eventualmente, ele sabia que alguém poderia reconhecê-lo, mesmo com suas feições escondidas. Ele tornou-se muito conhecido.
—Homens de Clifford, milorde.










Série Guardiões das Highlands
0,5- O Resgate da Guarda das Highlands
1- O Guerreiro
2- O Falcão3- O Guardião
4- Víbora
5- O Santo
6- O Recruta
7- Guarda das Highlands
7.5 - O Cavaleiro
8- O Saqueador
9- The Arrow

10. The Striker - a revisar
11. The Rock  - idem seguintes
11.5. The Rogue
12. The Ghost


Lady Sarah

Série Ladys
Desde que Sarah conheceu James, o cunhado de sua irmã Brianna, apaixonou-se perdidamente, mas não era recíproco. 

Por isso decide esquecê-lo e refazer sua vida. James entregou seu coração a Helen McBree depois de pensar que não voltaria a amar outra mulher que não fosse Brianna, sua cunhada. 
Sem pensar muito, casa-se com ela e assim começa o que ele pensava que seria um amor que durariam para sempre, conhece a felicidade e em véspera do nascimento de seu primeiro filho, a vida lhe arrebata à mulher que ama, fazendo–o sumir na pena e na dor. 
Os caminhos de James e Sarah voltam a se cruzar quando ela decide, depois da morte de seu marido, dedicar sua vida a Deus. James irá até ela em um intento de ressarcir o dano ocasionado no passado. Fará por sentimento de culpa? 
Poderá salvar Sarah de outro erro com sua decisão? Ambos descobrirão que terão que se perderem para encontrarem-se. 

Capítulo Um

Abadia do Melmesbury, Inglaterra 1467. 
Querida irmã, desejo que, à chegada desta carta, tanto você como meus sobrinhos gozem de boa saúde, esta missiva tem um motivo e é te informar que dentro de um mês, finalmente, me ordenarão monja, deixarei de ser uma noviça para consagrar minha vida a Deus, Nosso Senhor. 
Desejo expiar todos meus pecados. Só você e o Senhor sabem pelo inferno que passei junto a meu defunto marido. É meu desejo ver minha família antes de minha ordenação, já que depois desse momento não poderei voltar a vê-los nunca mais, e essa é minha maior dor. 
Espero uma pronta resposta, amo-te Brianna, devo-te minha vida e durante o que dela reste, rezarei por você e sua família. Sarah MacFerson.
 — Tudo isto é sua maldita culpa, James! – grita minha cunhada quando acaba de ler a carta. Eu a olho sem saber de que demônios fala, rompe em pranto e parte deixando a missiva em cima da mesa. Meu irmão parte atrás dela tentando acalmá-la, em seu estado não é bom que se altere. 
Sei que não devo, mas se não ler a notícia que a pôs assim não saberei do que me culpa, surpreendo-me quando leio de onde provém e mais ainda quem a escreve, 
Sarah? Sua irmã Sarah está em um convento desde quando? Defunto marido? Que demônios é tudo isto? Mentiria se dissesse que durante estes cinco anos não pensei na pequena Sarah. 
Quando a conheci tinha quinze anos, eu já tinha conhecido a minha esposa Helen e a partir desse instante nada nem ninguém me importou mais. 
Ela com a ingenuidade da infância se declarou para mim, sentime pressionado e devo reconhecer que não acertei muito em minhas palavras para rechaçá-la; era jovem e não pensei na dor que podia lhe causar. Agora, depois de tanto tempo, pergunto-me o que aconteceu em sua vida, porque está a ponto de ordenar-se monja de clausura, de que pecado fala? Essas respostas só Brianna as tem e estou disposto a escutar o que aconteceu a Sarah MacFerson em todo este tempo. 
— Não, Alexander! Não peça que me acalme, você não sabe o que guardo calada todos estes anos, não sabe o que presenciei quando fui ver minha pequena irmã na casa de MacFerson – gritava furiosa minha pequena cunhada. 
— Pois me conte o que guarda calada durante cinco anos, acha que não percebi? Depois de voltar de visitar sua irmã algo tinha mudado, conheço-te Brianna – responde meu irmão. 
— Apóio meu irmão, Brianna – digo entrando na biblioteca onde os dois se refugiaram.
 — Você não tem nenhum direito de exigir nada, durante cinco malditos anos não se importou com a vida de minha irmã, que continue sendo assim. 
— Tem razão, mas quero saber por que faz cinco anos perdi uma irmã – desde que me casei com a Helen o tratamento de Brianna comigo mudou para sempre. 
— Meu afeto por você mudou no momento que destroçou o coração de minha irmã, obrigando-a a casar-se com um homem vinte anos mais velho que ela, mudou no momento que vi minha irmã amarrada, enquanto seu marido permitia que seu filho a violasse, mudou no momento que tive que matar esse bastardo – disse mortalmente calma. 
— Meu Deus! – sussurrou horrorizado meu irmão. Tenta aproximar-se de sua esposa, mas ela não o permite. — Não me olhem assim! — gritou ela — Era minha irmã que estava sendo violada! 









Série Ladys
1- Lady Brianna
2- Lady Sarah

O Coração de uma Condessa

É o ano de 1850 e a pequena Ana acaba de perder sua mãe, ficando aos cuidados de seu pai, que não tem problemas em enviar sua filha, de cinco anos a um rigoroso internato para senhoritas. 

Treze anos depois, Ana Emília Victoria Federica de Altamira e Covas retorna ao Pazo. Converteu-se em uma linda jovem capaz de deslumbrar qualquer homem, mas sua sorte está decidida… Seu pai chegou a um acordo matrimonial com dom Jenaro Monterrey, um empresário de 70 anos com quem quer casá-la. Alberto partiu para longe da Galícia fugindo de dolorosas recordações e das duras exigências de seu pai, para que seguisse com o negócio familiar, mas Alberto ansiava outro destino, queria estudar uma profissão e ser um homem instruído. 
Quando parece encontrar seu lugar, exercendo sua profissão em um escritório, se vê obrigado a regressar ao Pazo… Uma manhã na qual dom Jenaro se apresenta de surpresa, Ana foge para o bosque e cai. Um jovem a ajuda. Primeiro escuta sua voz, depois aparece entre os arbustos… Ainda que apenas um encontro seja suficiente para que ambos entendam que se pertencem, seu amor é impossível. 
O destino de Ana já está marcado… ou talvez pudesse mudar sua sorte? 

Capítulo Um 

Villa e Corte de Madrid, treze anos depois.
Ana Emília Victoria Federica de Altamira e Covas se sentou muito ereta no assento forrado em couro negro, da carruagem que seu pai enviara expressamente para buscá-la e levá-la de volta a sua Galícia natal. 

Um ligeiro movimento no assento da frente provocou o desvio do seu olhar, da mancha cinza que as ruas madrilenas formavam, disseminando-se agora a certa velocidade do outro lado da janelinha, para fixá-lo no enorme volume coberto de gazes e organdi que constituía sua acompanhante. 
Dona Angustias, sua ama de criação, idosa, tinha ido buscá-la na capital, apesar da tremenda tortura que uma viagem de tantas horas provocava em uma mulher de sua idade e envergadura. 
Àquela altura, lutava para encaixar suas generosas carnes, e suas volumosas capas de roupa, no reduzido espaço. Ana virou o rosto para observá-la com uma ternura infinita, o único modo no qual se sentia capaz de olhar a aquela boa e amorosa mulher, e um sorriso cheio de alegria e afeto ampliou levemente seu semblante.
Aquela anciã de rosto corado e gorducho, cujas bochechas flácidas caiam em ambos os lados do rosto, como bolsas sobrecarregadas tinha sido uma segunda mãe para ela ainda que, devido a sua idade, seu rol se aproximava mais ao de uma avó afetuosa e protetora.
Uma avó a qual amava acima de todas as coisas e que, estava certa, a amava também do mesmo modo. Sua muito querida nana. Era muito consciente de que a pobre ama, tentava com todas suas forças suprir o vazio que sua senhora deixara no coração da menina treze anos atrás, e o fizera tão bem que Ana mal sofreu sua ausência, somente o justo e necessário.



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